Tem gente que cria cachorro. Outros preferem gato. Mas, em uma casa no bairro Monte Castelo, na zona Sul de Teresina, quem conquistou um lugar especial foi um galo. Jeremias acompanha a dona por toda a casa, participa da rotina da família e chama atenção por um hábito inusitado: todos os dias, ele acompanha Valéria até mesmo no momento da oração.
O nome foi escolhido pela neta, Maria Ísis, e, desde então, Jeremias passou a fazer parte da família. Ele recebe alimentação preparada com carinho, participa das comemorações de aniversário e, todos os anos, no mês de setembro, ganha até uma festa para celebrar mais um ano de vida.
A relação de afeto ficou ainda mais forte durante um período delicado na vida de Valéria. Enquanto enfrentava o tratamento contra o câncer, Jeremias esteve sempre por perto, tornando os dias mais leves e ajudando a amenizar os momentos difíceis.
Ao lembrar de como o animal chegou à família e da convivência construída ao longo dos anos, Valéria conta que Jeremias participa de praticamente todos os momentos importantes da casa e que cada integrante aprendeu a respeitar o jeito único do galo.
"Ele participa de todos os aniversários. Quando chega a data da gente comemorar, ele está presente em todos os aniversários. Às vezes ele está calmo, às vezes ele tem cisma de certas pessoas. Quando ele está muito estressado, como agora, que ele quer ir para a mesa dele, aí ele fica assim, fica valente. Meu genro ganhou ele. No entanto, como mora em apartamento, não tinha como ele ficar e ia doar. Aí eu disse que não, que eu ia ficar com ele. E, a partir desse dia, eu trouxe ele para casa e ele ficou aqui, todo o tempo na convivência com a gente", conta dona Valéria.
Ela também relembra o apoio emocional que recebeu durante o tratamento contra o câncer. Segundo Valéria, o carinho pelo animal foi uma motivação a mais para enfrentar o período de internação e retornar para casa.
"Qualquer animal que você se apega, ele dá força, tanto como a família, como ele também. E, quando eu estava internada, eu sempre perguntava por ele. Quando eu cheguei em casa, no retorno do hospital, ver todo mundo e ele também foi uma alegria. A gente banha ele, eu gosto de dar banho nele, faço perfume, é tipo uma criança. É muito bom, é gostoso, faz parte da família. A gente não imagina, assim, se um dia ele chegar a faltar. A gente se apega demais ao bichinho. São bons demais, coisa de Deus", relata dona Valéria.
Mas é sempre no fim da tarde que acontece uma das cenas mais curiosas da rotina da casa. Pontualmente às seis horas, Jeremias acompanha Valéria durante a oração do terço. Enquanto ela reza, o galo permanece por perto, como se também participasse daquele momento de fé.
Apesar da tranquilidade com mulheres e crianças, Jeremias também leva a sério a função de proteger a casa. Homens desconhecidos costumam receber uma recepção bem diferente, marcada por perseguições e até algumas bicadas.
Segundo Valéria, o comportamento varia de acordo com o humor do animal e com a confiança que ele cria em cada visitante.
"Tem gente que ele cisma, aí fica querendo correr atrás para picar. Mas depois ele vai se adaptando e vai acostumando. Até a minha irmã Daiane e a minha filha, às vezes, ele dá carreira nelas. Depende do estado dele, de como ele se encontra. Mas ele é dócil. Tem que saber levar o Jeremias", afirma dona Valéria.