Rústicos e com grande capacidade de adaptação ao clima tropical, os caprinos da raça anglo-nubiana se destacam entre criadores pela resistência e pela dupla aptidão: produção de carne e, principalmente, de leite. No município de Esperantina, no norte do Piauí, a Fazenda Marajá, propriedade da família de Marcelo Quaresma, é uma das referências na criação da raça na região. A atividade teve início há duas décadas e, atualmente, o rebanho conta com cerca de 40 animais, mantidos com foco em produtividade e melhoramento genético.
Marcelo Quaresma explicou ao Antena Rural que o interesse pela raça vem de uma ligação familiar e foi reforçado ao longo dos anos pelas características produtivas e pela adaptação ao clima da região.
"A raça anglo-nubiana entrou na minha vida desde a infância, de criança, já é uma herança da família da gente. A gente tem uma certa paixão por essa raça, tanto pela qualidade dela, todo esse diferencial que ela tem para a produção, a rusticidade aqui no nosso clima, é um clima um pouco mais quente, um pouco mais difícil da gente criar e ela se adapta muito bem. Então a gente recebeu a raça e se propôs a fazer um melhoramento genético nela, melhorar a produção leiteira para que a gente tivesse uma viabilidade econômica ainda maior com a criação dessas cabras", disse Marcelo Quaresma.
Segundo ele, o manejo simplificado também contribui para a viabilidade da criação, já que a raça responde bem às condições oferecidas na propriedade.
"O manejo é bem simples, como é uma raça que não é tão exigente quanto outras raças especializadas, ela se adapta muito bem ao que a gente consegue oferecer para ela, por isso da escolha da raça, por conta disso, por ser uma raça rústica, que com o que a gente tem, um pouco de capim e uma ração, às vezes especializada para a produção de leite, em alguma fase da vida dessas cabras, na fase de produção, elas conseguem responder muito bem a todo esse manejo", explicou.
Na Fazenda Marajá, a produção de leite é direcionada principalmente para a fabricação de queijos e doces artesanais. A produção já apresenta variedade de produtos e potencial de expansão no mercado local.
"Hoje a gente está tirando em torno de 20 litros de leite por dia, a gente transforma em queijos e doces, mais ou menos uns 150 queijos e uns 50 potinhos de doces. No início, a gente teve um certo preconceito por ser leite de cabra, as pessoas tinham uma certa rejeição por não termos essa cultura de consumir o leite, o queijo, o doce de leite feito do leite da cabra, mas hoje os médicos já recomendam, por ele ter menos lactose e uma lactose boa, mais próxima do leite materno mesmo. Hoje os médicos indicam para pessoas que têm intolerância à lactose, que têm alguma rejeição ao leite bovino, o leite de cabra se torna uma opção", contou.
A rotina na propriedade começa cedo, com a ordenha diária das cabras, que garantem uma produção média de 20 litros de leite por dia. A raça anglo-nubiana é reconhecida justamente pelo desempenho na produção leiteira e pela qualidade do leite, amplamente utilizado na produção de queijos e doces artesanais.
Há cerca de 10 anos, Marcelo participa de exposições e torneios leiteiros, onde já acumulou premiações ao longo das edições em que competiu.