Embrapa desenvolve alimentação artificial para fortalecer colônias de abelhas em períodos de escassez no Piauí

Pesquisas usam ingredientes regionais para garantir a nutrição de abelhas e contribuir para a preservação de espécies

Na Embrapa Meio-Norte, em Teresina, pesquisadores desenvolvem alternativas para garantir a alimentação das abelhas nos períodos em que a natureza não oferece recursos suficientes. O trabalho busca criar dietas artificiais com ingredientes acessíveis aos produtores rurais, utilizando matérias-primas encontradas facilmente na região e capazes de fornecer os nutrientes necessários para a manutenção e o desenvolvimento das colônias.

"A gente tem trabalhado sempre com produtos que o apicultor ou o meliponicultor podem achar no quintal da casa deles. A gente procura produtos regionais ou que são exóticos, mas que são encontrados aqui com facilidade. A gente tem trabalhado com folha de mandioca, com vagem de algaroba, folha de leucena, o ralão do coco babaçu, que é a borra que fica depois da extração do azeite, com fubá. Essas receitas que a gente tem, tem inclusive disponível no site da Embrapa, elas foram feitas com a quantidade exata dos nutrientes que as abelhas precisam", disse a pesquisadora Fábia de Mello à TV Antena 10.


Segundo a pesquisadora, embora os suplementos desenvolvidos pela Embrapa apresentem resultados positivos, eles ainda não conseguem substituir completamente os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente. O objetivo das pesquisas é aperfeiçoar continuamente essas formulações para torná-las cada vez mais eficientes.

"Nada é igual ao pólen e ao néctar que a natureza oferece. A gente tenta chegar o mais próximo possível. As pesquisas continuam justamente tentando chegar a um produto ainda bem mais próximo do que o que a gente já tem. Mas é uma receita que a gente já testou, que elas consomem, que ajuda no desenvolvimento das colônias", explicou a pesquisadora.

Além da produção de mel, a Embrapa também desenvolve estudos voltados para a conservação das abelhas sem ferrão, espécies nativas do Brasil que desempenham papel essencial na polinização e na manutenção dos ecossistemas.

  

Embrapa desenvolve alimentação artificial para fortalecer colônias de abelhas em períodos de escassez em Teresina
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"São atualmente 250 espécies de abelhas sem ferrão que nós temos catalogadas, mas a gente acha que vai chegar a umas 300 conforme as pesquisas forem avançando. São espécies que a gente vai ter só por aqui, então é muito importante que a gente cuide delas, são da nossa biodiversidade", contou.

O Piauí se destaca nacionalmente na produção de mel, e esse cenário impulsiona pesquisas voltadas tanto para a apicultura quanto para a meliponicultura. De acordo com Fábia de Mello, as abelhas sem ferrão exigem atenção especial por serem mais sensíveis às mudanças ambientais do que espécies exóticas introduzidas no país.

  

Pesquisadora Fábia de Mello
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"O Piauí é um dos maiores produtores de mel do Brasil. Então, a Embrapa já tem muitos anos que ela vem trabalhando com essa questão da produção de mel, de ajudar os apicultores e, junto com isso, já foi surgindo interesse por a gente estar trabalhando com as abelhas sem ferrão também, que são realmente as espécies nativas aqui do Brasil. Então, elas são muito mais sensíveis que a abelha africanizada, que é uma espécie exótica, e precisam de muito mais cuidados. A gente tem trabalhado muito nesse sentido", pontuou a pesquisadora.

A pesquisadora também ressalta que a preservação das abelhas depende do envolvimento de toda a sociedade. Pequenas atitudes do dia a dia podem contribuir para a conservação ambiental, mas ela defende a necessidade de ações mais amplas e de políticas públicas voltadas à proteção dessas espécies.

"A gente precisa que todo mundo tenha uma consciência muito grande da importância de se preservar o meio ambiente de uma forma geral. Quando a gente recebe crianças aqui, eu sempre digo para elas que elas podem ajudar se elas economizarem luz, se elas economizarem água. Se elas pedirem para as tias, mães, avós e pais plantarem flores no jardim, tudo isso são medidas pequenas que todo mundo pode fazer e que já vão ajudando. Mas é necessário que tenha uma ação muito maior, políticas públicas realmente voltadas à conservação dessas espécies, porque a nossa vida depende delas. A gente não vai conseguir continuar por muito tempo aqui se nós acabarmos com as matas, e elas são as principais polinizadoras das matas", finalizou.

  

Pesquisas usam ingredientes regionais para garantir a nutrição de abelhas e contribuir para a preservação de espécies
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