Ciência e esperança caminham lado a lado em um laboratório de Parnaíba, no litoral do Piauí. Pesquisadores desenvolvem um estudo a partir da apitoxina, o veneno da abelha, substância conhecida há séculos por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. A partir dessa base científica, surgiu um projeto considerado promissor, com foco no tratamento do Parkinson. A pesquisa é conduzida pelo professor doutorando da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), químico e pesquisador Zé Roberto.
O objetivo do estudo é associar a apitoxina ao canabidiol para desenvolver um medicamento sublingual capaz de amenizar os sintomas da doença. A inspiração para a pesquisa veio de dentro de casa: o pai do pesquisador convive com o Parkinson há quase uma década, o que motivou os primeiros testes e o aprofundamento do estudo.
“Meu pai tinha tremores nas pernas, nas mãos, tinha dificuldade para segurar garfo, tomar um café. Foi quando eu decidi fazer os testes com ele. É um tratamento que é complementar, ele ajuda no tratamento. O paciente tem que fazer acompanhamento com neurologista. Não é uma questão de curar, mas de ajudar no tratamento”, disse Zé Roberto ao Antena Rural.
Segundo o pesquisador, a combinação das duas substâncias pode atuar diretamente no sistema neurológico, ajudando a reduzir inflamações cerebrais e, consequentemente, alguns dos sintomas mais comuns da doença, como os tremores.
“O canabidiol age no sistema neurológico, na ação antioxidante, melhora o sono, irritabilidade e quando ele é associado à apitoxina, que é anti-inflamatória, natural, vai diminuir a inflamação cerebral e isso faz com que haja a diminuição dos tremores”, disse Zé Roberto.
O medicamento ainda está em fase final de autorização pela Anvisa. Mesmo assim, os resultados iniciais observados no estudo já trazem esperança para pacientes e familiares que convivem com a doença. Um dos exemplos é o próprio pai do pesquisador, o senhor Francisco, que relata melhora significativa após iniciar o uso do medicamento experimental.
“Eu tremia demais e quando ele levou esse remédio eu melhorei. Antes não segurava uma colher e hoje seguro, seguro xícara de café. Estou achando que estou melhorando muito. A situação que eu estava era horrível. De uns tempos para cá, quando comecei a tomar o remédio que meu filho levou, estou melhor”, disse o senhor Francisco.
A partir dessa descoberta, outros medicamentos também começaram a ser desenvolvidos no laboratório, voltados para a saúde neurológica, muscular e até para a área de estética. Entre eles, há estudos para tratamentos voltados à fibromialgia.
Agora, os pesquisadores aguardam a liberação oficial para avançar nas próximas etapas e iniciar a comercialização dos produtos nos próximos meses.
A pesquisa une biotecnologia, inovação, apicultura e laços familiares, e representa uma nova esperança para pacientes que buscam alternativas para melhorar a qualidade de vida.