O homem de 37 anos investigado por registrar um falso boletim de ocorrência em Demerval Lobão já teria usado anteriormente os dados de uma terceira pessoa para comunicar outro falso furto de veículo, segundo revelou o delegado Humberto Mácola à TV Antena 10 nesta quinta-feira (10).
De acordo com a investigação, a estratégia seria provocar a apreensão de uma motocicleta. No caso mais recente, o suspeito usou os dados de uma pessoa falecida para registrar o suposto furto de um veículo, causando prejuízo a um comprador que havia adquirido o bem de boa-fé.
“Ele não é a primeira vez que ele faz isso. Ele utilizou também, em outro boletim de ocorrência, o dado de uma terceira pessoa para informar um furto falso de um veículo da esposa dele, para que justamente a pessoa fosse apreendida essa motocicleta”, afirmou o delegado Humberto Mácola.
No caso de Demerval Lobão, o homem teria utilizado o sistema BO Fácil para se passar pela pessoa que já havia morrido e registrar a ocorrência falsa. Segundo Mácola, o boletim acabou gerando consequências para uma pessoa que não tinha relação com a fraude.
“Ele utilizou desse sistema, colocou como comunicante uma pessoa falecida para denunciar um falso fato de furto de um veículo. A pessoa que tinha comprado de boa-fé o veículo foi parada numa blitz e teve um prejuízo. A internet não é uma terra sem lei. A DRCC está vigilante, está detectando, o sistema detecta essa fraude. Então, fica o aviso para você que está pensando em colocar um dado falso no registro de ocorrência. Não faça isso”, alertou.
O delegado também detalhou como funciona o sistema utilizado pelo investigado para aplicar o golpe, mas que na verdade é um sistema que busca facilitar o acesso da população aos serviços de segurança. O cidadão pode registrar a ocorrência pela internet, seguindo as instruções e informando os dados do fato. Depois da confirmação, o registro é analisado por uma equipe da Polícia Civil e, após a validação, o boletim é disponibilizado em formato PDF.
“Você não precisa ir até uma delegacia para, fisicamente, você obter o seu boletim de ocorrência. Pode ir também, tem todos esses canais, essas fontes que a Polícia Civil, através da Secretaria de Segurança Pública, disponibilizou para a população para facilitar a denúncia, facilitar o registro de ocorrência”, disse.
O investigado pode responder por comunicação falsa de crime e falsidade ideológica. A primeira infração pode ter pena de até dois anos, enquanto a falsidade ideológica pode chegar a cinco anos. “São crimes graves, crimes que provocam o aparato estatal de uma coisa inexistente e precisam ser coibidos”, afirmou Humberto Mácola.