O inquérito que investiga o esquema liderado por Francisco das Chagas, conhecido como Chico Trader, foi concluído pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 600 milhões por meio de falsas promessas de investimentos na Bolsa de Valores. Em entrevista à TV Antena 10, o delegado Luciano Alcântara explicou que a apuração começou após aproximadamente 50 pessoas procurarem a polícia para denunciar um crime de estelionato.
“Nós chegamos agora à conclusão do inquérito, que começou com a apuração de um crime de estelionato, mas que apresentaram-se aproximadamente 50 pessoas na época para registrar o boletim de ocorrência. E foi verificado que, na verdade, poderia se tratar de um grupo criminoso. Agora, após a conclusão da investigação, nós chegamos à conclusão dos crimes que foram cometidos”, explicou Luciano Alcântara.
A investigação apontou o envolvimento de Francisco, de dois operadores e de uma pessoa responsável pela captação de valores para a empresa. A companheira de Chico Trader também foi incluída nas investigações e, segundo a polícia, permanece foragida, com mandado de prisão expedido pela Central de Inquéritos de Teresina e inclusão na lista da Interpol. Os investigados foram indiciados por diferentes crimes, entre eles contra a economia popular, associação criminosa, estelionato e lavagem de capitais.
“Verificamos também crimes de lavagem de capitais, tendo em vista que eles movimentaram vários valores provenientes do crime e tentaram fazer com que esses valores voltassem para as contas deles de forma legítima, como se fossem valores legítimos. Verificamos também compra de veículos colocados em nome de terceiros, que é uma prática comum no crime de lavagem de capitais”, afirmou o delegado.
A investigação também identificou crimes que afetam o Sistema Financeiro Nacional. Um dos pontos apontados foi a criação da empresa Xtreme Trader, que teria funcionado como empresa de fachada para captar recursos de terceiros e realizar atividades que dependiam de autorização dos órgãos reguladores.
“Eles abriram uma empresa, a Xtreme Trader, e essa empresa é uma empresa de fachada. Ela foi aberta simplesmente para que eles pudessem angariar valores de terceiros e, assim, eles se comportaram como uma instituição financeira, sem autorização do Banco Central ou então da própria CVM. Nós temos o Francisco, mais dois envolvidos presos. Um deles não está preso, ele tinha saído da empresa no mês de fevereiro de 2025. O golpe, a pirâmide, foi ruir em maio para junho de 2025. Então, ele já tinha saído antes, mas está respondendo, veio comparecer, prestou os depoimentos dele e foi indiciado ao final como participante nesse crime. Tudo que foi verificado durante a investigação foi solicitado à Justiça, tanto a apreensão de alguns bens, o sequestro de imóveis, a questão do bloqueio de contas. Isso vai ser tudo repassado para a Justiça para que, durante a ação penal, o juiz tome ciência desses valores e possa utilizá-los para fazer o ressarcimento das vítimas”, afirmou Luciano Alcântara.
O delegado também orientou a população sobre como evitar golpes envolvendo supostos investimentos. Segundo ele, uma das principais medidas é verificar se a pessoa ou empresa possui autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para oferecer serviços no mercado de capitais.
“Nós verificamos ao final da investigação, e talvez essa seja uma parte fundamental, que, de acordo com a Bolsa de Valores do Brasil, eles nunca realizavam operações na Bolsa. Então, se as vítimas quiserem se precaver de um crime como esse, o primeiro ponto é procurar saber se a pessoa tem um registro na Comissão de Valores Mobiliários. Observe também alguns sinais, como a entrega de rendimentos muito altos em um intervalo de tempo muito curto. Esse é um sinal de que você pode estar sendo vítima de um golpe”, orientou.