“Quando saí do hospital, minha filha já tinha sido sepultada”, diz pai de menina morta em abordagem; ex-PM é condenado a 97 anos em Teresina

À TV Antena 10, pai da vítima relata consequências físicas e emocionais e relembra o caso ocorrido em 2017, na zona Leste da capital

Evandro da Silva Costa, pai da pequena Emilly Caetano Costa, que tinha 9 anos quando foi morta a tiros durante uma abordagem policial na noite de 25 de dezembro de 2017, em Teresina, esteve nesta segunda-feira (04) no Balanço Geral Piauí, da TV Antena 10, para comentar a condenação do ex-policial militar Aldo Luís Barbosa DornelO ex-agente foi condenado a mais de 90 anos de prisão pelo envolvimento na morte da menina e na tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas.

O caso aconteceu na Avenida João XXIII, na zona Leste da Capital. Segundo o Ministério Público do Piauí, os réus atuaram em uma abordagem policial que terminou com disparos contra cinco pessoas da mesma família. Entre as vítimas estavam Emilly Caetano Costa, de 9 anos à época, que não resistiu aos ferimentos, além de Evandro da Silva Costa, Daiane Félix Caetano, Evellyn Caetano Costa e Emanuelly Caetano Costa.

  
“Quando saí do hospital, minha filha já tinha sido sepultada”, diz pai de menina morta em abordagem
TV Antena 10
 
 
 

Durante entrevista, Evandro relembrou o momento e as consequências do ataque. Ao comentar a perda da filha, ele descreveu o impacto da tragédia na família e o sentimento diante do ocorrido.

"Se eu soubesse que aqueles caras iam fazer aquilo, eu tinha colocado todas as minhas filhas na minha frente. Eu preferia eu do que a minha filha. Só Deus sabe a dor e o sofrimento que eu passo. Não desejo isso a ninguém. Quando eu saí do hospital, minha filha já tinha sido sepultada; não vi nem a minha filha", disse.


Evandro também relatou as sequelas físicas e financeiras que enfrenta desde o episódio, incluindo problemas de saúde e dificuldades para manter sua fonte de renda. O pai da menina acabou perdendo parcialmente a audição após o ocorrido.

"Ainda hoje meu nariz sangra, ouvido sangra, fiquei quase impossibilitado de cantar. Às vezes, quando vou cantar, eu tenho desmaios, passo mal. Eu vendi uma casa, hoje vivo de aluguel porque fui para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foram R$ 70 mil para tentar viver", disse Evandro.

  
Emilly Caetano foi atingida com disparos na região das costas e faleceu após auxílio médico
Reprodução
 
 
 


O ex-PM Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado por homicídio qualificado consumado contra Emilly Caetano Costa, além de quatro tentativas de homicídio qualificado contra as demais vítimas. Ele também foi responsabilizado por fraude processual. Ao final do julgamento, a pena fixada foi de 97 anos de reclusão, além de 2 anos e 8 meses de detenção.

Já o ex-policial militar Francisco Venício Alves foi condenado por fraude processual, devido à alteração do local do crime antes da chegada da perícia. Ele recebeu pena de 2 anos e 3 meses de detenção, além de 180 dias-multa.

Após a leitura da sentença, foi determinada a prisão imediata de um dos condenados em plenário, além da perda do cargo público.