“Quanto mais eu for ameaçado, mais motivação eu tenho”, afirma delegado Charles Pessoa após operação contra facção que planejava assassiná-lo no Piauí

Setor de inteligência da Polícia Civil detectou que integrantes do Comando Vermelho estavam monitorando a rotina dele e de seus familiares

Atualizada às 13h46

O delegado Charles Pessoa, durante entrevista à TV Antena 10 nesta terça-feira (23), comentou sobre a operação que desarticulou um grupo criminoso que pretendia assassiná-lo. Foram cumpridos 14 mandados judiciais contra integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), na cidade de Castelo do Piauí. Ao todo, sete pessoas foram presas.


Durante a entrevista, o delegado relatou que as ameaças recebidas não são recentes e que a Polícia Civil identificou diversos planos de atentados contra sua vida e também contra familiares. Segundo ele, a atuação das forças de segurança não será intimidada pelas ações criminosas.

  

“Quanto mais eu for ameaçado, mais motivação eu tenho”, afirma delegado Charles Pessoa após operação contra facção que planejava assassiná-lo no Piauí
TV Antena 10

   

“Receber ameaça não é confortável. Se a gente falar que é confortável, nós estamos subestimando. A gente sabe realmente do alto nível de periculosidade e covardia desses indivíduos, mas jamais iremos recuar para qualquer tipo de ameaça. Sabemos da complexidade da missão. Ontem a gente estava numa reunião de planejamento e nós fomos analisar essas últimas ameaças provenientes por parte desses indivíduos e nós identificamos pelo menos dez planejamentos de tentativa de execuções relacionadas à minha pessoa e também atentado contra a vida de familiares relacionados à gente. Uma ameaça a um agente público é uma ameaça ao próprio Estado. A gente não pode normalizar”, disse o delegado Charles Pessoa.

Charles Pessoa também revelou que o setor de inteligência da Polícia Civil detectou que integrantes do Comando Vermelho estavam monitorando a rotina dele e de seus familiares. Os criminosos teriam identificado, inclusive, a academia frequentada pelo delegado, o que obrigou a adoção de mudanças constantes em sua rotina e nos locais onde permanece.


“Eu tenho três, quatro endereços que a gente precisa estar mudando a nossa rotina diária. Um dia dorme em um local, outro dia eu durme em outro. A gente não consegue ter uma rotina, nem eu e nem os meus familiares. Então, isso aqui é um desabafo. A gente precisa realmente fazer uma reflexão relacionada a esse tipo de situação. Essa criminalidade, esses indivíduos que têm relação com as facções criminosas não podem ameaçar um agente público e acreditar na impunidade. Precisamos de leis que não protejam o criminoso, porque a legislação brasileira hoje protege o criminoso, não protege o agente público, não protege o policial, não protege o cidadão. É por isso que esses indivíduos praticam esses atos”, relatou o delegado.

  

Polícia desarticula grupo criminoso que pretendia assassinar delegado Charles Pessoa
Divulgação

   

Apesar das ameaças, o delegado afirmou que continuará atuando no combate às organizações criminosas e ressaltou que o enfrentamento às facções é uma missão de toda a estrutura da Segurança Pública do Estado.

“Eu gostaria de assegurar para todos vocês, integrantes de facções criminosas, que no meu dicionário não existe a palavra medo relacionada a esse tipo de ameaça. Pelo contrário, quanto mais eu for ameaçado, vocês podem ter certeza de que mais motivação eu tenho de acordar todos os dias cedo para ir na casa de vocês e combater com profissionalismo. Por quê? Porque nós temos uma estrutura da Segurança Pública. Não o delegado Charles Pessoa, são todos os homens e mulheres que integram a Segurança Pública do Estado do Piauí que estão envolvidos nesse processo, envolvidos nessa missão de combater essas facções criminosas e proteger as famílias de bem do nosso Piauí”, falou Charles Pessoa.

A operação

A ação policial resultou na prisão de sete pessoas suspeitas de envolvimento nas ameaças contra o delegado. De acordo com a investigação, os criminosos utilizavam redes sociais e pichações para intimidar agentes de segurança.


Os presos já possuem histórico criminal e diversas passagens pela polícia por crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e roubo. Outros suspeitos identificados pela investigação continuam foragidos e, segundo a Polícia Civil, serão capturados.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam arma de fogo, aparelhos celulares e entorpecentes.