Justiça bloqueia bens de prefeito de Prata do Piauí por suspeita de enriquecimento ilícito

MP aponta evolução patrimonial incompatível com os rendimentos de Neto Mendes e identifica imóveis registrados em nome de terceiros

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens do prefeito de Prata do Piauí, Acelino Mendes de Moura, o Neto Mendes (PSD), em ação civil de improbidade administrativa que apura suspeita de enriquecimento ilícito e ocultação patrimonial. A decisão é do juiz José Sodré Ferreira Neto, da Comarca de Barro Duro, e busca assegurar eventual ressarcimento de R$ 1 milhão aos cofres públicos. O caso ganhou peso porque não se resume a uma suspeita abstrata de patrimônio incompatível: segundo a investigação, foram identificados imóveis de alto valor que estariam ligados ao prefeito, mas registrados formalmente em nome de terceiros. 

Justiça bloqueia bens de prefeito de Prata do Piauí por suspeita de enriquecimento ilícito Reprodução

   

O contraste apontado pelo Ministério Público é expressivo. Nas eleições de 2020, Acelino declarou à Justiça Eleitoral não possuir bens. Em 2024, informou patrimônio de aproximadamente R$ 40 mil. Paralelamente, o MP calculou que seus rendimentos líquidos como prefeito, ao longo de pouco mais de cinco anos, somariam cerca de R$ 236,8 mil, enquanto os imóveis identificados na investigação ultrapassariam R$ 1,3 milhão. A diferença, por si só, não prova enriquecimento ilícito — mas é justamente a discrepância que levou o Ministério Público a investigar de onde veio o patrimônio e quem é, de fato, o proprietário dos bens. 

Um dos imóveis é uma residência de alto padrão na Avenida Getúlio Vargas, em Prata do Piauí, avaliada em R$ 960 mil pelo CRECI/PI. A casa possui 318 metros quadrados, edícula e piscina, mas está registrada em nome de Rinaldo da Silva Feitosa. A investigação encontrou ainda pagamentos feitos pela própria Prefeitura a Rinaldo sob a rubrica de locação imobiliária. Para o Ministério Público, esse conjunto de elementos reforça a hipótese de interposição de terceiros para ocultação patrimonial. Também foi bloqueada uma propriedade rural de 150 hectares, denominada Pureza, avaliada em R$ 345.309. A decisão registra ainda que o prefeito tinha conhecimento do inquérito desde março de 2026, circunstância considerada relevante para avaliar o risco de transferência dos bens. 

O episódio não surgiu do nada. Em março deste ano, o próprio MPPI instaurou um inquérito civil específico para investigar a evolução patrimonial de Neto Mendes, determinando levantamento de imóveis, documentos, declarações de bens e informações financeiras. Na ocasião, a Promotoria informou que também apuraria a eventual existência de bens não declarados à Justiça Eleitoral e poderia utilizar ferramentas como o SNIPER, sistema empregado para cruzamento de informações patrimoniais. Na mesma investigação, o MP abriu procedimento semelhante para analisar a evolução patrimonial do prefeito de Barro Duro, Eloi Pereira de Sousa.