“Dói muito, dói na alma”, desabafa viúva após soltura de motorista que matou seu marido atropelado em Teresina

Além do impacto emocional, Genilda relatou à TV Antena 10 que a família enfrenta dificuldades financeiras desde a morte do marido

Atualizada às 19h16

A família do motociclista Edson Barbosa Dias recebeu com indignação a notícia da soltura do engenheiro Carlos Eduardo Marques Ângelo, acusado de atropelar e matar a vítima na Avenida Frei Serafim, em Teresina, em março deste ano na Avenida Frei Serafim, em Teresina. A soltura do acusado ocorreu após seis meses. 


A decisão que colocou o engenheiro em liberdade foi tomada pela 1ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), que concedeu, por unanimidade, o habeas corpus apresentado pela defesa. A prisão foi revogada, mas Carlos Eduardo deverá cumprir uma série de medidas cautelares enquanto o processo continua.

  

Genilda Dias, viúva de Edson Barbosa TV Antena 10

   

Em entrevista à TV Antena 10 e o A10+, a esposa de Edson Barbosa, Genilda Dias, relatou que a notícia veio justamente um dia depois de a família completar seis meses da morte do motociclista. Ela afirmou que ainda enfrenta as consequências da perda do marido e que as filhas também sofrem com a ausência do pai.

“Dói muito, dói na alma. Muito mesmo, porque não é fácil para mim como mãe. Todo dia ver minha filha de oito anos chorar pela morte do pai”, relatou.

Um dos maiores impactos, segundo Genilda, é acompanhar o sofrimento da filha de oito anos, que continua perguntando pelo pai e demonstrando saudade.

  

Engenheiro Carlos Eduardo Marques Ângelo Reprodução

   

A menina, conforme a mãe, chegou a questioná-la sobre a morte de Edson e sobre o motivo de Deus ter permitido que ele morresse. Para Genilda, são perguntas difíceis de responder em meio ao próprio processo de luto.

A família também conta com acompanhamento psicológico oferecido pela escola onde a criança estuda. Genilda afirmou que esse é, atualmente, um dos poucos suportes disponíveis para ajudar a filha a lidar com a perda.

Família relata dificuldades financeiras

Além do impacto emocional, Genilda contou à TV Antena 10 que a família enfrenta dificuldades financeiras desde a morte do marido. Segundo ela, até o momento não recebeu pensão para as filhas nem outro tipo de apoio financeiro relacionado à perda.

  

Após 6 meses, justiça solta engenheiro acusado de atropelar e matar motociclista em Teresina Reprodução

   

Para conseguir manter a casa e cuidar das crianças, a viúva contou que conseguiu um emprego com ajuda de amigos e pessoas próximas ao falecido. Ela afirmou que tem contado principalmente com o apoio de amigos e de pessoas que conviviam com Edson para seguir em frente.

Viúva pede justiça

Diante da decisão da soltura do engenheiro Carlos Eduardo, Genilda afirmou que espera que o processo continue avançando e que a morte do marido seja responsabilizada pela Justiça. Emocionada, ela fez um apelo para que o caso não seja esquecido e afirmou que continuará buscando uma resposta para a família.

“Eu espero justiça. Eu peço justiça pelo meu esposo”, declarou.

Engenheiro terá que cumprir medidas cautelares 

Apesar da revogação da prisão, o engenheiro terá que cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão comparecimento quinzenal à Justiça, proibição de frequentar bares, restaurantes e festas, além da restrição de contato com familiares da vítima e testemunhas.


A decisão também determina que ele não pode deixar a comarca sem autorização judicial, deverá permanecer em casa das 19h às 6h e será submetido a monitoramento eletrônico por 180 dias.

Além disso, Carlos Eduardo fica proibido de dirigir veículos automotores e de obter permissão ou habilitação para dirigir até o julgamento do processo.

Ainda segundo a decisão, o descumprimento das medidas poderá levar à aplicação de novas cautelares ou, em último caso, à decretação de uma nova prisão.