"Infelizmente a gente só cumpre a decisão", diz delegada ao comentar soltura de diretor acusado de abusar de crianças em creche de Timon-MA

Justiça Maranhense determinou soltura de acusado após Ministério Público não apresentar denúncia dentro de prazo legal

A delegada Lorena Alves deu mais detalhes à TV Antena 10 nesta terça-feira (17) sobre os desdobramentos da investigação envolvendo Alberto Luiz Freitas Monção, acusado de abusar sexualmente de crianças em uma creche localizada em Timon, no Maranhão; ele exercia a função de diretor-adjunto da instituição, que chegou a ser interditada após a divulgação das denúncias no dia 27 de maio deste ano. 

O A10+ apurou que Adalberto Luiz foi solto hoje porque o Ministério Público não apresentou a denúncia dentro do prazo legal e também concordou com a prorrogação solicitada durante a fase de investigação. De acordo com a decisão judicial, essa medida teria excedido os limites previstos pelo Código de Processo Penal.

  

Diretor de creche foi preso suspeito de abusar de crianças autistas em Timon; levava vítimas para depósito
Reprodução

   

A delegada explicou que o inquérito ainda está em andamento e depende da conclusão de diversas perícias técnicas. Segundo ela, a apuração exige análise minuciosa de imagens e laudos especializados. Apesar da revogação da prisão, Lorena ressaltou que os elementos reunidos até o momento continuam apontando para a possível autoria e materialidade dos crimes investigados.

"Não temos a quantidade exata das vítimas. É um inquérito que é demorado, porque ele depende dos laudos técnicos de câmeras, laudos periciais nas crianças, embora alguns desses crimes não deixem vestígios, porque às vezes é um contato muito rápido, então é para ser algo demorado. A prisão foi revogada, mas não tem influência, as investigações prosseguem, os indícios todos apontam para autoria e materialidade do crime", disse a delegada Lorena Alves.

A delegada afirmou que a Polícia Civil havia solicitado a prorrogação do prazo das investigações, pedido que foi aceito pela Justiça. No entanto, segundo ela, o entendimento judicial foi de que medidas cautelares alternativas à prisão seriam suficientes para garantir a proteção das vítimas durante o andamento do processo.

"Nós pedimos já a dilação do prazo, que foi deferida, mas aí a decisão judicial entende que ele deveria aguardar liberdade, que as medidas cautelares diversas da prisão seriam necessárias para garantir a segurança das vítimas. Verificando a decisão judicial, eu não vi questão de saúde, eu vi só em relação a prazo, uma decisão extremamente técnica e que infelizmente a gente só cumpre a decisão judicial", explicou a delegada.

Lorena Alves também enfatizou que o trabalho da polícia segue normalmente, independentemente das decisões tomadas no âmbito judicial.

  

Diretor de creche acusado de abusar de crianças autistas em Timon
Reprodução

   

"A gente faz o trabalho investigativo, independente do processo, independente da decisão judicial. Eu acredito que o juiz teve a fundamentação dele, ele aplicou medidas cautelares diversas da prisão e nosso trabalho é continuar a investigação para concluir o mais rápido possível", falou.

A delegada ainda explicou que o número de possíveis vítimas pode aumentar ao longo das investigações. De acordo com ela, novas denúncias podem surgir à medida que pais e responsáveis observem comportamentos incomuns nas crianças ou com o avanço da análise das imagens apreendidas durante a apuração.

"Pode ser que alguns dos pais dos responsáveis ainda não atentaram para o fato de que a criança deveria ter tido algum comportamento e aí não registraram o boletim de ocorrência ainda, ou as câmeras identifiquem, com a chegada das câmeras e das imagens identifiquem que ele teve contato com o maior número de crianças", pontuou.

Apesar da revogação da prisão, a Justiça do Maranhão entendeu que a permanência do investigado em liberdade ainda representa uma ameaça às vítimas, à sociedade e à ordem pública. Em razão disso, a prisão preventiva foi substituída por um conjunto de medidas cautelares impostas pelo Judiciário. 

As apurações apontam que o acusado retirava as crianças das salas de aula durante o período integral da creche e as levava para um depósito localizado dentro da diretoria, local sem monitoramento por câmeras. Conforme a polícia, a câmera que existia no espaço teria sido retirada pelo próprio investigado logo após assumir o local.