O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, afirmou, na noite deste domingo (25/10), que irá pedir anulação do pleito. O filho do ex-presidente liderava em todas as pesquisas, mas perdeu a disputa para Lula (PT) em uma virada histórica.
Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em prorrogar o tempo de votação e o acusou de favorecer o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante entrevista coletiva, Flávio chamou a decisão de “canetada” e disse que Zanin, ex-advogado de Lula, atendeu a um pedido feito por um ex-sócio e passou por cima da Justiça Eleitoral. Zanin foi advogado do presidente nos processos da Lava Jato e foi indicado por ele ao STF em 2023.
“O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. O ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, que muda a regra do jogo, no meio do jogo. Às 17 horas e um minuto, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior, atropelando a Justiça especializada, com uma decisão, prorrogando por duas horas a eleição.
RECORD
O senador também afirmou que houve “quebra total de isonomia” entre eleitores de diferentes cidades e estados.
“Eu nunca vou saber se num Estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse. A decisão de Zanin não determinou a reabertura de urnas. Depois de uma primeira ordem que valia para todo o país, o ministro e o TSE limitaram a prorrogação às seções que ainda estavam abertas às 17h.
Flávio também pediu prorrogação
A própria campanha de Flávio havia pedido ao TSE, horas antes, que a votação fosse prorrogada. A petição, apresentada às 15h27 em nome do candidato, pedia mais duas horas de votação, até as 19h, em 17 cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa das chuvas.
Os advogados argumentavam que, sem a prorrogação, o eleitor, diante de uma rua alagada, “teria de escolher entre a própria segurança e o voto”.
A campanha também pedia que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só começasse depois do fechamento das seções abrangidas.
Fiscais do PL
Flávio disse ainda que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE depois da decisão. “Tem muita coisa pra ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem”, afirmou. Ele também mencionou, sem dizer o nome, um ministro que teria defendido na imprensa a anulação da eleição.
A prorrogação foi decidida em uma ação apresentada pela coligação de Lula contra as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, por falta de ônibus. Mais cedo, às 15h27, a campanha de Flávio também havia pedido ao TSE que a votação fosse estendida até as 19h em 17 cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa das chuvas.
Antes do resultado, aliados do candidato já tinham dado sinais de que não aceitariam a derrota. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou que “ou a gente ganha ou a gente ganha”.