PF apreendeu dinheiro e material de campanha em clínica durante prisão do vereador Valdemir Virgino em Teresina

O A10+ apurou que a Polícia Federal recebeu uma denúncia de que o vereador estaria promovendo distribuição de dinheiro em espécie em uma clínica

O vereador de Teresina Valdemir Virgino (PRD) foi preso em flagrante pela Polícia Federal, no sábado (3), durante uma ação que apura suspeita de compra de votos em uma clínica localizada no bairro Marquês, na zona Norte da capital. O parlamentar foi autuado, em tese, pelos crimes de corrupção eleitoral e associação criminosa.

O A10+ apurou que a Polícia Federal recebeu uma denúncia de que o vereador estaria promovendo distribuição de dinheiro em espécie em uma clínica na capital. Durante a apuração, agentes fizeram vigilância no local e observaram um fluxo intenso de pessoas saindo do estabelecimento com sacolas plásticas escuras.

  

Vereador Valdemir Virgino foi preso pela PF
Divulgação

   

Ainda de acordo com a PF, dois homens que deixaram a clínica de motocicleta foram abordados. Com Raimundo Nonato, foram encontrados R$ 12 mil em espécie, além de material de propaganda eleitoral. Ele afirmou aos policiais que o dinheiro seria utilizado para pagar pessoas que teriam trabalhado em uma campanha.

Após a abordagem, os policiais entraram na clínica, com autorização de um atendente. No interior do imóvel, foram encontrados envelopes com anotações de nomes, números de telefone e valores em dinheiro, além de grande quantidade de material de propaganda eleitoral.

A PF afirma que Valdemir Virgino estava no local acompanhado de Renato Lucas e que os dois estariam coordenando as atividades realizadas em uma das salas. Conforme o depoimento de um agente, o vereador portava uma mochila com R$ 15,2 mil em espécie, incluindo valores separados em envelopes com nomes e anotações.

Também foram apreendidos R$ 16,5 mil que estavam em uma sala da clínica, separados em nove sacos de papel contendo nomes, valores e telefones, segundo o termo de apreensão da PF.

Material de campanha

Segundo os policiais, no local havia material de campanha de candidatos. A documentação da investigação relaciona a suspeita de compra de votos. 

Questionado sobre a movimentação no local, Valdemir teria inicialmente não apresentado explicação. Posteriormente, segundo a PF, Renato Lucas afirmou que os valores seriam destinados ao pagamento de pessoas que haviam trabalhado em campanhas. O vereador, por sua vez, teria dito que estava no local apenas para almoçar com Renato.

  

Material apreendido pela PF
Reprodução

   

A investigação também ouviu três mulheres que estavam na clínica. Elas disseram que estavam no estabelecimento para consultas, mas, segundo os policiais, não souberam informar qual atendimento procuravam e afirmaram que não haviam trabalhado nas campanhas. 

Dois permanecem presos

Ao todo, 18 pessoas foram conduzidas durante a ocorrência. Segundo a Polícia Federal, 16 foram colocadas em liberdade após o pagamento de fiança de R$ 550, por responderem apenas pela suspeita de corrupção eleitoral.

Valdemir Virgino e Renato Lucas Vieira permaneceram presos porque foram autuados também por associação criminosa, além de corrupção eleitoral. Os dois foram encaminhados à Central de Flagrantes da Polícia Civil e ficaram à disposição da Justiça Eleitoral.