*Por Ana Júlia, estagiária sob supervisão de Renayra de Sá
O último levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIESSE) apontou que o valor da cesta básica, em Teresina, é o segundo maior entre as capitais nordestinas, ficando atrás somente de Fortaleza, capital do Ceará.
O estudo mostra que, em agosto desse ano, o valor da cesta básica na capital custou em média R$689,81, representando uma queda de 1,67% em relação ao mês de Julho. Entretanto, o valor da cesta básica em Teresina mostrou um aumento de 3,98% em comparação com o mês de agosto do ano passado e, no acúmulo anual, o crescimento chega a 6,93%.
Entre os alimentos, o acréscimo nos preços do feijão, do tomate e do leite foram os que mais colaboraram para a condição atual, apresentando aumentos de 54,29%; 27,13,% e 12,59% respectivamente.
A moradora e técnica em saúde bucal Bárbara Neylane afirmou, ao A10+ e TV Antena 10, que encontra dificuldades para conseguir manter os alimentos básicos para seu consumo. Ela conta que a prioridade é manter a boa alimentação de seus três filhos e, que devido ao aumento dos preços, isso tem se tornado uma realidade de maior custo para ela.
“Tenho três filhos, e a alimentação é o principal, não pode deixar faltar. A gente que é mãe corre atrás pra conseguir o que pode e o de melhor para nossos filhos”, desabafa Bárbara.
O economista Valmir Falcão explica que os valores dos produtos das cestas básicas são cíclicos, ou seja, devido a mudanças climáticas que afetam diretamente na produção desses alimentos os preços podem mudar, e não se mantêm constantes durante o ano. Ele destaca que houve um crescimento da produção dos produtos da cesta básica entre agosto e setembro, ocasionado, principalmente, pelo aumento do preço do leite.
“Nos produtos da cesta básica, de julho a agosto, houve uma diminuição na produção de produtos da cesta básica em Teresina, agora de agosto a setembro já houve um crescimento, principalmente, devido ao aumento no preço do leite.”
O levantamento do DIESSE também mostra que a população que recebe o valor de um salário mínimo é uma das mais afetadas pelo aumento do preço, apontando que o trabalhador necessita de, no mínimo, 100 horas de trabalho para conseguir o valor de uma cesta básica, o que pode chegar a comprometer até 46% desta renda líquida.
O economista Valmir Falcão alerta aos consumidores para a necessidade de comparação dos preços alimentícios em cada estabelecimento, para que eles escolham qual será o que vai atender melhor a necessidade, conforme a sua renda.
A consumidora Bárbara Neylane explica que já aplica certas práticas de pesquisa dentro de sua rotina de compras, em busca dos alimentos que possam ser ajustados a sua renda. Para ela, a primeira opção é comprar os alimentos necessários para o consumo de sua família, e caso seja possível, comprar os que fogem do básico.
“A gente vai anotando o que tem em casa, o que da para economizar. Compra realmente o necessário, e o que sobrar é que a gente vai comprando umas besteirinhas que as crianças pedem”, relata a consumidora.