Uma operação da Polícia Militar do Piauí, com apoio da ROCAM (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), resultou na apreensão de fuzis, pistolas, munições, drogas e outros materiais em uma residência no bairro Vermelha, na zona Sul de Teresina. A ação começou após a abordagem de um casal na região central da capital.
Na residência, os policiais encontraram um homem adulto e três crianças, com idades entre 3 e 9 anos. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar a situação. De acordo com o delegado da Polícia Civil do Piauí, Laércio Evangelista, um dos presos, identificado como Gabriel, teria chegado a Teresina há cerca de dois meses, vindo de Caxias, no Maranhão.
Segundo as investigações, ele teria recebido armas provenientes de São Paulo e seria responsável por armazená-las. Ainda conforme o delegado, o homem teria afirmado receber R$ 4 mil por mês de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) para exercer a função conhecida como “cofre”, responsável pelo armazenamento de armas e outros materiais ilícitos.
“Os dois presos confessaram ser do PCC, confessaram exercer essa função de cofre, que é a função em que eles recebem as armas de outro estado para distribuir aqui no Nordeste”, afirmou o delegado em entrevista à TV Antena 10.
As investigações buscam agora identificar outros integrantes da organização criminosa e descobrir a origem, a rota e o possível destino do armamento apreendido.
Polícia investiga possível ligação com ataques a instituições financeiras
O comandante-geral da Polícia Militar do Piauí, coronel Scheiwann Lopes, afirmou que o trabalho de inteligência foi fundamental para localizar o imóvel.
Segundo ele, o armamento apreendido, especialmente as armas de grosso calibre e as munições de uso restrito, poderia ser utilizado em ações criminosas de grande porte, incluindo ataques contra instituições financeiras.
A polícia, no entanto, ainda investiga se o material seria efetivamente utilizado nesse tipo de crime.
Além das armas e drogas, foram apreendidos carregadores, munições, uma balança de precisão e aparelhos celulares. Parte do armamento deverá passar por perícia para auxiliar na identificação da origem e verificar eventual utilização em outros crimes.
O delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, destacou a importância da integração entre as forças de segurança para o andamento da investigação.
As diligências também avançaram para o Maranhão. Conforme as autoridades, equipes de inteligência do Piauí mantiveram contato com forças de segurança maranhenses e realizaram diligências em Caxias, apontada como origem de alguns dos envolvidos.
A Polícia Civil informou que outros dois imóveis na cidade maranhense também são investigados por possível utilização como “casas-cofre” para armazenamento de armas.
Os celulares apreendidos durante a operação serão analisados pelos investigadores. A expectativa é identificar a rede de contatos dos suspeitos, a posição deles dentro da organização criminosa e a possível circulação de armas entre o Maranhão, o Piauí e outros estados do Nordeste.
A Polícia Civil também informou que vai avaliar posteriormente a possibilidade de solicitar à Justiça autorização para que parte das armas apreendidas seja incorporada ao arsenal das forças de segurança do Estado.
Os suspeitos foram encaminhados às autoridades competentes e permanecem à disposição da Justiça.