Latrocínio de comerciante de ouro em Teresina: veja toda cronologia do caso e histórico criminal de suspeitos alvos de operação policial

A falsa negociação de 98 gramas de ouro, avaliadas em cerca de R$ 40 mil aproximou a vítima dos criminosos, segundo a polícia

A Secretaria de Segurança Pública do Piauí deu detalhes, em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (23), sobre a investigação do caso de latrocínio do comerciante de ouro Edivan Francisco de Moraes, ocorrido em 3 de janeiro deste ano, em Teresina.  O empresário, segundo a polícia teria sido vítima de uma "emboscada" pela suposta venda de aproximadamente 98 gramas de ouro, avaliadas em cerca de R$ 40 mil.

A ação deu cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de prisão nas cidades de Teresina, Altos e Timon (MA). Segundo a polícia, a quadrilha é considerada de alta periculosidade e possui extensa ficha criminal com envolvimento em uma série de roubos a residências no município de Altos, além de apresentar indícios de ligação com outros crimes patrimoniais graves. 


"É uma organização criminosa atuante na cidade de Altos, especialmente, responsável por realizar diversos crimes de roubos a residências, especialmente joias, o que eles buscavam. Vamos divulgar as imagens desses indivíduos, (5:17) a fim de que eventuais vítimas da cidade de Altos identifiquem a participação desses indivíduos e denunciem", afirmou o delegado Natan Cardoso durante a coletiva.

Os alvos foram identificados como G.R.S., conhecido como “GG”, A.S.F.J., conhecido como “Neurótico”, E.S.C., o “Raimundinho”, V.N.S. Vinicius, L.B.N., conhecido como “Rei do Ouro” e J.S.S., conhecido como “Do Mal”. Neurótico e Rei do Ouro ainda não foram localizados.  


Durante as diligências, dois envolvidos já se encontravam detidos por outros crimes, sendo que o responsável pela fuga também foi capturado. Além disso, um homem foi flagrado em uma residência por tráfico de drogas e uma mulher que seria namorada de um dos alvos também foi conduzida. 

A cronologia do crime

Edivan Francisco atuava na comercialização de ouro e mantinha contatos frequentes para negociação do metal, realizando transações presenciais, prática comum nesse tipo de comércio. No início de janeiro de 2026, a vítima passou a receber contatos insistentes relacionados a uma suposta negociação de aproximadamente 98 gramas de ouro, avaliadas em cerca de R$ 40 mil, o que criou um cenário de aparente normalidade comercial e levou o comerciante a aceitar o encontro.

Segundo o delegado Natan Cardoso que conduziu as investigações , G.R.S., conhecido como “GG”, foi o principal responsável por intermediar a falsa negociação, mantendo contato direto com a vítima, reforçando a proposta de compra do ouro e demonstrando interesse constante na transação. As mensagens e ligações indicam que a negociação foi utilizada como isca para atrair Edivan ao local onde a ação criminosa seria executada.

Your browser does not support HTML5 video./


No dia do crime, G.R.S. continuou se comunicando com a vítima, acompanhando seu deslocamento e alinhando o momento do encontro. Após aceitar concluir a negociação, Edivan se deslocou até sua residência, onde acreditava que finalizaria a venda do ouro. Durante todo o trajeto, houve troca de mensagens que indicam o monitoramento em tempo real da movimentação do comerciante.

Ao chegar ao local, Edivan foi surpreendido e executado. A investigação aponta que o crime teve motivação patrimonial, com o objetivo de subtrair o ouro e outros bens de valor. Após o homicídio, os criminosos levaram as joias de ouro que a vítima utilizava, além de retirarem um equipamento de armazenamento de imagens, numa tentativa de eliminar possíveis registros que pudessem auxiliar na identificação dos autores.

As diligências indicam que A.S.F.J., conhecido como “Neurótico”, e E.S.C., o “Raimundinho”, integraram o núcleo operacional, sendo apontados como participantes diretos da execução do crime. A ação criminosa contou ainda com apoio logístico, essencial para o deslocamento dos envolvidos e a fuga após o homicídio. Nesse contexto, V.N.S., é apontado como o responsável pelo uso de um veículo de apoio, utilizado antes e depois da ação criminosa.

A investigação também identificou indícios de monitoramento prévio da rotina da vítima, reforçando o caráter planejado do latrocínio. L.B.N., conhecido como “Rei do Ouro”, é apontado como um dos responsáveis por esse acompanhamento anterior, contribuindo diretamente para a execução do crime. Outro investigado, J.S.S., conhecido como “Do Mal”, aparece vinculado à estrutura operacional do grupo, com participação relevante no contexto investigado.

Após o latrocínio, os criminosos fugiram utilizando o veículo da própria vítima, o que foi determinante para o avanço das investigações. A partir desse ponto, o trabalho do Sistema de Videomonitoramento por Inteligência Artificial (SPIA) foi essencial para rastrear o trajeto do automóvel e reconstruir a rota de fuga. “O uso das câmeras do SPIA foi fundamental para o esclarecimento do caso. A partir da análise das imagens, conseguimos identificar o deslocamento do veículo subtraído, mapear as rotas utilizadas na fuga e conectar os investigados à dinâmica do crime. Esse trabalho integrado foi decisivo para a identificação do grupo criminoso”, destacou o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta.

A Operação é uma ação integrada realizada pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Superintendência de Operações Integradas (SOI), Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizada (DRACO), Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), Polícia Militar do Piauí, por meio do Batalhão RONE, Batalhão de Operações Especiais (BEPI), BOPAer e do Núcleo de Operações com Cães.

Sobre a vítima

Em 05 de janeiro, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deflagrou operação após as investigações do assassinato de Edvan Francisco, que atuava como empresário no ramo da compra e venda de ouro em Teresina. Ele foi encontrado morto dentro de casa no bairro Jacinta Andrade, na zona Norte da capital. 

  

Empresário encontrado morto em Teresina Divulgação

   

De acordo com o delegado Natan Cardoso, as apurações preliminares identificaram que a vítima já respondeu pelo delito de receptação e já teria sido sofrido uma tentativa de homicídio no ano passado. "A vítima era um indivíduo que trabalhava com a prática de compra e venda de ouro. Ele já possuía passagens pelo sistema penitenciário pelo delito de receptação. Será apurado se o envolvimento com esse tipo de delito tem relação com o crime praticado em seu desfavor. A gente, nesse início, não descarta nenhuma possibilidade, inclusive pode também ter ocorrido o crime de latrocínio e trabalhamos também com a linha de que foi homicídio. Nesse momento, como eu afirmei, não podemos excluir nenhuma linha de investigação", afirmou o delegado à TV Antena 10 e ao A10+