Médico diz ter sido internado à força em clínica pelos pais por ser gay no Piauí; advogada dá detalhes

Ele acredita que o caso tenha relação com questões políticas, tendo em vista que os pais são da área

Um médico de 27 anos, que não teve a identidade revelada, precisou fazer uma denúncia contra os próprios familiares alegando que foi internado em uma clínica de reabilitação devido a sua orientação sexual no Piauí. Ele teria sido levado forçadamente e já estava sofrendo com a situação há 40 dias.


Em entrevista à TV Antena 10 e ao A10+, a advogada do médico informou que a internação do médico, segundo os pais, seria por suposto uso de entorpecentes. O médico, no entanto, rebate a suposta motivação. Ele não descarta que fez uso de entorpecentes em época de faculdade, mas disse que atualmente não interfere no dia a dia e consegue cumprir todas as suas atividades, inclusive trabalhar.

  

Médico é internado em clínica de reabilitação pelos próprios pais
Foto ilustrativa

   

Para o médico e para a advogada, o caso trata-se na verdade de homofobia, tendo em vista que a vítima se assumiu homossexual aos pais, que são políticos no interior do estado. O médico acredita que eles queriam abafar qualquer polêmica em ano eleitoral.

"Ele alega que os pais são políticos no interior do Estado e aí, por conta disso, ele acabou falando para os pais da sexualidade dele, da opção sexual. Por conta disso ele foi muito discriminado e os pais, na tentativa de tentar abafar essa história em ano eleitoral, resolveram internar ele por questões de preconceito, homofobia, que ele sofria dentro de casa pelos próprios pais", disse a advogada à TV Antena 10. 

Ela explicou ainda que a vítima foi levada forçadamente para a clínica e não passou procedimentos importantes que ele teria solicitado.

  

Médico é internado em clínica de reabilitação e denuncia pais por homofobia
TV Antena 10

   

"Quatro pessoas surpreenderam ele em casa enquanto dormia... e aí ele foi internado nessa clínica de reabilitação, ficou sem comunicação nenhuma há 40 dias, mas conseguiu subornar um guarda dentro da clínica para poder conseguir falar com o advogado. Ele falou comigo no sábado, eu ingressei com habeas corpus em regime de plantão, só que o juiz não analisou porque o fato não aconteceu no dia do plantão, e a resolução exige isso, que ele analise nas 24 horas o fato, só que como a internação já havia acontecido há 40 dias, o juiz não apreciou a questão do pedido liminar", detalhou.

Agora eles aguardam um posicionamento do Ministério Público para que a situação seja investigada e o médico consiga ter laudos novos que provem que não há relação com o uso de drogas e, com isso, ter liberdade.

O cliente da advogada, no entanto, está desaparecido, pois durante um momento de oitivas, ficou com medo e se escondeu para não voltar para internação. O caso está em apuração.