Teresina registrou o dia mais quente do ano na última quarta-feira (7). A estação oficial do Inmet marcou 41,25 °C, e todas as zonas da capital ultrapassaram os 40 °C. O dado foi apresentado pelo diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil, Werton Costa, em entrevista ao A10+ e à TV Antena 10, nesta quinta-feira (08).
Segundo o diretor, o calor acima da média já se repete há alguns anos, mas este ano tem um agravante: a atuação do El Niño.“Nós estamos há alguns anos vivenciando meses fora da curva, sempre acima da média. Este ano, a gente tem um caráter especial por causa da atuação do fenômeno climático El Niño”, afirmou.
TV Antena 10
Ele explicou que a situação é acompanhada pela Defesa Civil em conjunto com órgãos federais, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/Cptec) e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh).
“Ontem foi o dia mais quente do ano. Para você ter uma ideia, a estação oficial do Inmet marcou 41,25 °C. Em nenhum momento nós chegamos a essa marca na capital. A gente ficou ali em 38, 39, alguma coisa, 40. Então, nós estamos no limiar do máximo. Esse limiar não pode ser constante. Quando a gente tem uma constância, aí já configuramos um problema ainda maior, que é a onda de calor. E a onda de calor geralmente tem impacto direto sobre a saúde das pessoas. Então, a gente pede que as pessoas mantenham a rotina de segurança. Qual é? Evitar exposição solar no horário de pico e, gente, beber água, beber líquido”, disse em entrevista à TV Antena 10.
Ilhas de calor
A Prefeitura de Teresina instalou sensores que medem a temperatura de forma pontual em diferentes comunidades e desenham um retrato detalhado do microclima da cidade.
De acordo com o diretor, as leituras mostram que, além da estação do aeroporto, que registrou entre 40 °C e 41 °C, há pontos da capital que já funcionam como ilhas de calor.
“A região da Primavera, por exemplo, 45 graus. É uma temperatura extremamente agressiva, então vamos ter cuidado”, alertou.
Werton Costa avaliou que o cenário é de “emergência climática, de altíssimo risco à saúde das pessoas” e exige que a cidade e as políticas públicas sejam repensadas.
Ele destacou que o problema não é só um dia isolado de pico, mas a repetição das altas temperaturas. “Esse limiar não pode ser constante. Quando a gente tem uma constância, configura um problema ainda maior que a onda de calor, que geralmente tem impacto direto sobre a saúde das pessoas”, explicou.
Como se proteger
A Defesa Civil recomenda evitar a exposição ao sol nos horários de pico e manter a hidratação ao longo do dia, já que o calor vem acompanhado de baixa umidade relativa do ar. “Para criança, o suquinho na mamadeira, água. O idoso tem que botar o relógio para lembrar a hora de beber água, porque a gente está num cenário de altíssimo risco”, orientou o diretor.
Werton comparou a situação com a de outras capitais conhecidas pelo calor, como Cuiabá, Palmas e Campo Grande, e disse que o objetivo não é disputar um título. “A gente não está brigando por esse título, a gente está brigando por qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
Previsão para outubro
Segundo Werton, relatório recente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos indica que outubro deve ter as condições mais severas do ano, com baixa umidade e temperaturas elevadas.
“Isso não é normalidade, não é porque todo outubro é quente. É uma situação fora da normalidade. Se está fora da normalidade, a gente precisa elevar o tom e melhorar o nosso nível de preparação para o enfrentamento dessa condição adversa”, declarou.