Piauí tem mais de 40 mil famílias na fila de espera do Bolsa Família, aponta estudo

Demanda reprimida no estado soma 65,9 mil pessoas; no país, mais de 3,19 milhões aguardam acesso ao benefício

O Piauí tem mais de 40 mil famílias na fila de espera para ingressar no Programa Bolsa Família, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Ao todo, são 40.599 famílias e 65.941 pessoas no estado que já atendem aos critérios do programa, mas ainda não recebem o benefício.

O dado reflete a chamada demanda reprimida, quando famílias aptas permanecem fora da folha de pagamento. Em nível nacional, esse contingente chega a 1,99 milhão de famílias, o equivalente a 3,19 milhões de pessoas aguardando acesso ao Bolsa Família.

 

Bolsa Família é um dos programas do Governo Federal
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Na comparação entre os estados, São Paulo concentra o maior número de famílias na fila, com 375.147 registros, somando 612.120 pessoas. Já Rondônia apresenta o menor volume, com 7.309 famílias e 11.218 pessoas à espera do benefício.

O estudo também mostra que a ampliação no número de beneficiários ao longo dos últimos anos foi acompanhada pelo aumento dos recursos destinados ao programa. Em 2023, o orçamento atingiu R$ 166,87 bilhões, o maior crescimento proporcional em relação ao ano anterior.

Apesar disso, os dados indicam redução nos anos seguintes. Entre 2024 e 2026, houve queda de R$ 11,56 bilhões no orçamento destinado ao Bolsa Família. Considerando o número de famílias ainda não atendidas e o valor médio do benefício, estimado em R$ 690,01, a CNM calcula que seriam necessários mais de R$ 16,48 bilhões adicionais para zerar a fila em 2026.

Atualmente, o Cadastro Único (CadÚnico) reúne 96,3 milhões de pessoas no país, o que corresponde a cerca de 42,4 milhões de famílias cadastradas. Desse total, aproximadamente 18,9 milhões de famílias estavam incluídas na folha de pagamento do Bolsa Família no início de 2026.

O Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda do país e atende famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Para ter direito, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218. Na prática, isso significa que, mesmo em lares com alguma fonte de renda, o benefício pode ser concedido desde que o valor por integrante permaneça abaixo desse limite.