Tarifaço dos EUA causa prejuízo de R$ 110 milhões nas exportações do Piauí; mel está entre os produtos afetados

Levantamento da CNM aponta que as vendas piauienses ao mercado norte-americano caíram de US$ 38,8 milhões para US$ 21,1 milhões

As exportações do Piauí para os Estados Unidos caíram 45,6% após a imposição de tarifas comerciais pelo governo norte-americano, provocando uma redução de aproximadamente R$ 110,2 milhões no valor comercializado. Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que analisou os impactos do chamado tarifaço sobre as vendas brasileiras ao mercado dos Estados Unidos. 

De acordo com o estudo, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Piauí exportou US$ 38,8 milhões em produtos para os norte-americanos. No período seguinte, de agosto de 2025 a julho de 2026, o valor caiu para US$ 21,1 milhões, uma diferença de US$ 17,7 milhões.

 

Mel
Paulo Urso/ Antena 10

 

O mel aparece como um dos principais produtos piauienses prejudicados pelas tarifas. Dos 13 municípios do estado que exportavam para os Estados Unidos, oito registraram queda nas vendas, o equivalente a 62% do total, segundo o levantamento.

A retração registrada no Piauí foi superior à média nacional, de 16,2%, e à do Nordeste, de 4,3%, conforme os dados divulgados sobre os efeitos das medidas comerciais.

Petróleo, café e suco de laranja estão entre os setores mais afetados

O levantamento detalhou que o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros provocou impactos negativos em 1.135 municípios do país, com prejuízos estimados em R$ 66,8 bilhões para as economias locais.  Segundo o estudo, 271 municípios chegaram a zerar as exportações para o mercado norte-americano. Antes das medidas, essas cidades movimentavam R$ 588 milhões em vendas para os Estados Unidos. Outros 864 municípios afetados registraram uma queda média de 30% no valor exportado.

O levantamento também aponta que 657 municípios, o equivalente a 58% do total de localidades afetadas, não conseguiram compensar as perdas com a ampliação das vendas para outros parceiros comerciais. 

  

Exportações
Reprodução

   

O estudo aponta que, no Brasil, as cadeias produtivas mais prejudicadas estão as de petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Juntos, os cinco setores registraram impacto negativo de US$ 1 bilhão, conforme o levantamento da CNM.

No caso do petróleo e do café, a redução das receitas foi acompanhada pela queda no volume exportado, de 28% e 43%, respectivamente. Já as exportações de suco de laranja tiveram redução de 33,7% no preço médio, apesar do aumento de 13,6% no volume comercializado. As cadeias de ferro-gusa e silvicultura também registraram quedas nas quantidades exportadas e nos preços médios.