O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um novo pacote de tarifas comerciais recíprocas que afetará diversos países. O presidente mostrou uma tabela com os valores que serão cobrados de cada nação, e os produtos do Brasil receberão serão taxados em 10%.
A data foi batizada pelo republicano como o “Dia da Libertação”, marca o início de medidas que, segundo ele, terão impacto global e entrarão em vigor imediatamente.
Montagem - Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump - 28.12.2024 e Ricardo Stuckert/PR
“Este é um dos dias mais importantes na minha opinião na história americana. É nossa declaração de independência econômica. Durante anos, cidadãos americanos trabalhadores foram forçados a ficar de fora enquanto outras nações ficavam ricas e poderosas, muito disso às nossas custas”, disse Trump durante o anúncio.
A tabela apresentada pelo presidente dos EUA prevê as seguintes tarifas contra países e blocos econômicos:
- China - 34%
- União Europeia - 20%
- Vietnã - 46%
- Taiwan - 32%
- Japão - 24%
- Índia - 26%
- Coreia do Sul - 25%
- Tailândia - 36%
- Suíça - 31%
- Indonésia - 32%
- Malásia - 24%
- Camboja - 49%
- Reino Unido - 10%
“Mas agora é a nossa vez de prosperar e, ao fazer isso, usar trilhões e trilhões de dólares para reduzir nossos impostos e pagar nossa dívida nacional e tudo isso vai acontecer muito rápido. Com a ação de hoje, finalmente seremos capazes de tornar a América grande novamente, maior do que nunca”, destacou Trump.
Segundo o presidente dos EUA, “empregos e fábricas voltarão com tudo ao nosso país” a partir das tarifas anunciadas nesta quarta. “Vamos turbinar nossa base industrial doméstica. Vamos abrir mercados estrangeiros e quebrar barreiras de comércio exterior e, finalmente, mais produção em casa significará competição mais forte e preços mais baixos para os consumidores. Esta será de fato a era de ouro da América. Ela está voltando. Nós vamos voltar com muita força.”
Na segunda-feira (31), o presidente afirmou que a nova política tarifária abrangerá todos os países, enquanto a Casa Branca reforçou na terça-feira (1º) que as taxas começarão a valer sem demora.
Medidas protecionistas e negociação
As novas tarifas fazem parte de uma estratégia que Trump tem defendido desde o início de sua campanha para retornar à Casa Branca. Ele argumenta que os Estados Unidos são tratados de forma injusta por seus parceiros comerciais, que impõem barreiras tarifárias elevadas à entrada de produtos norte-americanos.
O republicano sustenta que esse cenário prejudica a indústria local, desestimula investimentos internos e favorece a saída de capital do país. Em resposta, ele assinou uma ordem executiva em 13 de fevereiro determinando que sua equipe econômica estudasse a implementação de tarifas para equilibrar as relações comerciais.
Na semana passada, Trump indicou que pode adotar uma abordagem mais flexível em relação a determinados parceiros. Em uma conversa com jornalistas no Salão Oval, ele afirmou que poderia ser “gentil” e “menos agressivo do que totalmente recíproco”, pois, segundo ele, um modelo estritamente recíproco poderia ser “duro demais para algumas nações”.
Autorização para governo reagir a tarifaços
O Congresso analisa nesta semana um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de reciprocidade contra barreiras comerciais impostas por outros países. O projeto já foi aprovado no Senado e está em análise na Câmara nesta quarta.
O objetivo é proteger setores estratégicos da economia nacional, como o agronegócio e a indústria, de restrições que comprometam sua competitividade no mercado internacional.
A proposta permite que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) adote contramedidas contra países ou blocos econômicos que:
- Desrespeitem acordos comerciais assinados pelo Brasil;
- Imponham barreiras ambientais mais rígidas do que as exigidas no próprio Brasil;
- Interfiram na soberania nacional em questões comerciais.
As respostas podem incluir restrições comerciais, suspensão de concessões, medidas sobre investimentos e até limitações a direitos de propriedade intelectual. Qualquer sanção imposta deve ser proporcional ao impacto econômico causado ao Brasil.
Além disso, o projeto determina que o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, realize negociações diplomáticas para tentar reduzir os efeitos das barreiras impostas. A Camex será responsável por monitorar constantemente os impactos dessas contramedidas e o andamento das negociações.