A Defensoria Pública do Estado do Piauí (DPE/PI) realizou, neste sábado (1º), o Dia D da campanha nacional Meu Pai Tem Nome, em Teresina, reunindo equipes da instituição para promover o reconhecimento da filiação e ampliar o acesso da população a direitos fundamentais. Esta é a maior edição da campanha no estado em número de municípios participantes, alcançando 13 cidades piauienses entre os dias 30 de julho e 7 de agosto, com atendimentos voltados ao reconhecimento da paternidade e da maternidade, além da garantia de direitos.
A programação teve início na última quinta-feira (30), em Jaicós. Na sexta-feira (31), os atendimentos ocorreram simultaneamente em Buriti dos Lopes, Corrente, Floriano, Luís Correia, Oeiras, Paulistana, São Raimundo Nonato e Uruçuí. Neste sábado (1º), a ação concentra os atendimentos na sede da Defensoria Pública, em Teresina. A campanha será encerrada no próximo dia 7 de agosto, com mobilizações em Parnaíba, Piripiri e Valença do Piauí.
Coordenada nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), a campanha Meu Pai Tem Nome busca ampliar o acesso ao reconhecimento da filiação, assegurando o direito à identidade e fortalecendo os vínculos familiares. Durante a mobilização, a população tem acesso gratuito a sessões de mediação e conciliação, reconhecimentos voluntários, orientações jurídicas, encaminhamento para exames de DNA e outros procedimentos relacionados ao Direito de Família.
A defensora pública-geral do Estado do Piauí, Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior, destacou que a campanha representa o compromisso permanente da Defensoria Pública com a garantia do direito à filiação.
“Hoje, a Defensoria Pública está mobilizada em todo o estado para o Dia D nacional da campanha Meu Pai Tem Nome. Em Teresina, toda a nossa equipe está reunida na sede da instituição para garantir um atendimento humanizado às pessoas que buscam o reconhecimento de paternidade e maternidade. Aproveitamos para reforçar que, além desta mobilização, a Defensoria permanecerá de portas abertas durante todo o mês de agosto para receber quem precisa acessar esses direitos e assegurar a proteção jurídica de seus filhos e filhas”, afirmou.
Na capital, a defensora pública Alynne Patrício de Almeida Santos, titular da 8ª Defensoria Pública de Família, explicou que a campanha contempla diferentes demandas relacionadas ao Direito de Família, priorizando soluções consensuais.
“Estamos realizando reconhecimentos voluntários de paternidade, exames de DNA gratuitos e audiências de mediação. Mesmo quando a paternidade já está reconhecida, é possível buscar a Defensoria para tratar de questões como pensão alimentícia, guarda e regulamentação da convivência. Quem não fez agendamento prévio também pode comparecer espontaneamente. Além disso, durante todo o mês de agosto, a Defensoria Pública continuará desenvolvendo ações voltadas ao projeto Meu Pai Tem Nome”, destacou.
Entre as pessoas atendidas em Teresina está Hayra Haynne Basílio, mãe da pequena Jade Emanuele, de apenas dois meses. Ela contou que conheceu a campanha por meio das redes sociais da Defensoria Pública e decidiu procurar atendimento para garantir o reconhecimento da filiação da filha.
“Vi a divulgação no Instagram e também uma reportagem sobre a campanha. Estamos aqui justamente para colocar o nome do pai dela no registro e ter essa confirmação. Essa ação é muito importante porque garante essa certeza e possibilita que ela tenha convivência com o pai e também com a família paterna”, relatou.
Outro assistido destacou a importância da oportunidade de realizar gratuitamente o exame de DNA por meio da campanha.
“Já estávamos procurando um lugar que realizasse o exame de DNA gratuitamente. Esse reconhecimento é muito importante para mim. Desde o final da gestação já sentia esse amor, esse carinho e esse afeto. Agora esperamos apenas confirmar isso oficialmente”, afirmou.
Também atendido durante a ação, F.T.F. comemorou a possibilidade de realizar gratuitamente o exame de DNA e solucionar a demanda de forma consensual.
“Estou muito feliz por a Defensoria Pública ter realizado esse exame por meio do projeto Meu Pai Tem Nome. Graças a Deus, ocorreu tudo certo, em acordo com a mãe da criança, e fizemos o reconhecimento da paternidade. Sou muito grato pelo trabalho de todos que contribuíram para esse momento tão importante na minha vida”, disse.
A campanha é realizada em um contexto que reforça a importância da ampliação de ações voltadas ao reconhecimento da filiação. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) mostram que, entre 2016 e o início de julho de 2026, o Piauí registrou 26.926 crianças apenas com o nome da mãe na certidão de nascimento. Somente em 2026, até o início de julho, foram contabilizados 1.215 registros sem o reconhecimento paterno, dos quais 1.211 ocorreram no primeiro semestre do ano. O número representa uma redução de aproximadamente 15,8% em relação ao mesmo período de 2025.