Enfermeira processa tia por acusação relacionada à tentativa de sequestro de recém-nascido em maternidade de Teresina

Profissional, que não é investigada pela polícia, conseguiu uma decisão judicial que proibiu novas declarações que a vinculassem ao caso

Em nota enviada ao A10+, a enfermeira Ingrid Ohana Gomes da Cruz Galvão informou que ingressou com medidas judiciais contra a tia do recém-nascido, Daniela Beatriz, após ser acusada de envolvimento na tentativa de sequestro de um recém-nascido na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. O caso ocorreu no último dia 6 de julho. A suspeita Auricélia de Sousa Rocha foi presa pelo crime horas depois. De acordo com as investigações, ela teria agido sozinha, sem a participação ou auxílio de outras pessoas.

A profissional afirmou que não tem qualquer participação no crime e não é investigada, afirmando que estava na unidade apenas no exercício de sua função como supervisora no momento da ocorrência.

Enfermeira processa tia por acusação relacionada à tentativa de sequestro de recém-nascido em maternidade de Teresina
Reprodução

A enfermeira informou ainda que registrou boletim de ocorrência por calúnia e difamação contra Daniela, a tia do bebê, responsável por apontá-la inicialmente como suspeita. A Justiça do Piauí já concedeu decisão liminar determinando que a denunciante se abstenha de fazer novas acusações públicas que a vinculem ao crime, sob pena de multa.


"DETERMINAR que a ré se abstenha, a partir da intimação pessoal desta decisão, de divulgar ou compartilhar fotografias, vídeos ou dados pessoais que exponham a imagem e a identidade da autora associando-as ao referido evento. FIXAR, com fulcro nos arts. 497 e 536, § 1º, do CPC, multa cominatória (astreinte) no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) para cada novo ato de descumprimento da obrigação de não fazer acima estipulada, limitada a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem prejuízo de posterior majoração em caso de recalcitrância.”, diz trecho da decisão.


Prisão de técnica de enfermagem

Após a prisão da técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, que tentou sequestrar um recém-nascido da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, o delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), concedeu entrevista à imprensa, nesta quarta-feira (08), e explicou que a mulher cometeu o crime em um dia de folga e que sua profissão dentro da maternidade ajudou na ocorrência.

Técnica de enfermagem estava de folga no dia do crime
Divulgação

Durante entrevista, o delegado disse que Auricélia já trabalhava há muitos anos na maternidade e que isso facilitou na tentativa de sequestro, pois já sabia como funcionavam os trâmites do hospital. Ela, inclusive, estava de folga na data da ocorrência, mas foi ao local, colocou as vestes de trabalho e então cometeu o crime.



"Ela foi até o hospital a pretexto de resolver questões administrativas, já que não era o dia de trabalho dela, e lá aproveitou do conhecimento que já tinha da unidade, de ser funcionária de lá, subir a andar determinado, se paramentou com as roupas cirúrgicas, as roupas de enfermagem, conversou com várias pessoas nos leitos da maternidade, né? E se aproximou da família da vítima, do bebê recém-nascido, que é uma família vulnerável, a mãe do recém-nascido tem 14 anos, e lá, a pretexto de agilizar os exames pra saída, conseguiu convencer a tia a acompanhá-la, né? Até que, no momento que ela conseguiu levar, disse que não podia acompanhar, que tinha que levar a criança sozinha, depois retornou e entrou no banheiro sem a criança, o que gerou desconfiança da tia, que adentrou o banheiro e viu, então, que ela carregava a sacola com muito zelo, e abriu a sacola e viu o bebê recém-nascido dentro", detalhou o delegado.



As investigações até o momento apontam para uma ação individual, sem ajuda de terceiros. O caso, no entanto, ainda segue com investigação em andamento.

Auricélia foi levada a uma clínica psiquiátrica, onde cumpriu determinação de internação de 24 horas. Logo em seguida recebeu alta hospitalar e então foi presa pela polícia ainda dentro do clínica. Ela foi encaminhada pelas autoridades para prestar esclarecimentos e em seguida deve ser levada ao sistema prisional.