O momento da formatura em Engenharia Civil de Hélio Neto, de 23 anos, chamou atenção nas redes sociais. Natural do município de Brasileira, no Norte do Piauí, o jovem entrou na cerimônia segurando um botijão de gás, representando os anos de luta e trabalho por realizar o sonho de concluir o ensino superior.
Durante cinco anos, Hélio conciliou a rotina intensa da faculdade com o trabalho diário vendendo gás de cozinha, água e prestando outros serviços para garantir o pagamento das mensalidades, do transporte e da alimentação. Em alguns momentos, chegou a atuar também na reciclagem, tudo para não desistir do objetivo de se tornar engenheiro civil.
Reprodução/ CREA-PI
Todos os dias, ele saía de Brasileira rumo a Piripiri, onde cursava a graduação, enfrentando longos deslocamentos e uma jornada exaustiva, mas não deixou que o cansaço o impedisse de realizar seu sonho.
“A minha trajetória é de muito trabalho, de muito esforço e determinação. Sempre estudei em escola pública, aqui em Brasileira. Minha mãe sempre me incentivou a estudar. Consegui uma bolsa de 50% na faculdade e iniciei o curso. Depois que as aulas voltaram ao presencial, foi uma grande superação, porque eu precisava trabalhar, pagar a mensalidade, o transporte e a alimentação. Mas eu sempre pensei 'eu vou ter um curso superior', meu sonho é ser engenheiro”, contou o jovem ao A10+.
O apoio da família foi fundamental nessa caminhada, especialmente de um tio, que ajudou Hélio a dar os primeiros passos no setor da reciclagem. O que começou com a compra de pequenas quantidades de material reciclável acabou se transformando na estruturação de um ferro-velho no município, ampliando as possibilidades de renda.
“Eu terminei o curso de Engenharia Civil trabalhando com dignidade, acordando muito cedo todos os dias para atender meus clientes, vendendo gás”, relatou.
Apesar de agora carregar o título de engenheiro, Hélio pretende continuar realizando o trabalho que o sustentou até aqui. Ele quer continuar no ramo da venda de gás, investir na compra de um carro para melhorar as entregas e, no futuro, realizar o sonho de abrir a própria construtora.
“Meu sonho agora é poder comprar um carro para eu começar a trabalhar, entregar melhor o gás, porque com moto e carrocinha a segurança é pouca. Também pretendo abrir minha própria construtora, minha própria empresa”, finalizou.