Atualizada às 08h09
Daniela Beatriz, tia da bebê que sofreu uma tentativa de sequestro dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa nesta segunda-feira (06), em Teresina, gravou depoimento detalhando toda a situação, alegando que a unidade de saúde teria tentado abafar o caso e, segundo ela, não deu assistência à família e nem auxiliou na elaboração de um boletim de ocorrência.
Em sua fala, Daniela, que foi quem presenciou todos os detalhes da situação, explicou que logo após flagrar a suspeita com a bebê na bolsa tentando deixar a maternidade, automaticamente pediu ajuda e iniciou uma movimentação na unidade, chamando atenção de pacientes e funcionários do local. A maior revolta da família é que a maternidade tem tratado o caso como "retirada irregular", e não como um caso de tentativa de sequestro. “Pega a criança, troca de roupa e bota dentro da bolsa. Isso não é sequestro?”, questionou.
Reprodução
Ela alega que detalhou a situação, explicou o que teria acontecido e então colaboradores do local tentaram acalmá-la. Ela, no entanto, informou que a família está revoltada, pois não teve suporte e ela foi vetada, inclusive, de acionar a polícia. Segundo a tia da bebê, as mulheres suspeitas da tentativa de sequestro apenas foram ouvidas pela equipe multidisciplinar do hospital.
"Muita gente lá fora, muito médico, muito enfermeira, e não tive ajuda de ninguém de imediato. Quando eu puxo ela pra fora eu disse 'gente, eu preciso de ajuda, ela tava com a neném dentro da bolsa, a neném da minha irmã'", disse.
Logo após o tumulto, Daniela foi levada para conversar com profissionais da assistência social da maternidade, e explicou a situação. Segundo ela, os profissionais estavam reiterando diversas vezes que a culpa não era da maternidade, e disse também que uma das funcionárias, ao pegar o celular de Daniela para ver foto da suspeita, tentou apagar a imagem do aparelho celular.
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"Ela [funcionária] foi lá e apertou para excluir a foto, e a foto não foi excluída, as provas, porque precisou da minha facial pra excluir, eu apertei e não exclui, não permitiu. Teve uma reunião com o diretor do hospital, teve advogado dele. Perguntou se eu queria também um, e eu disse que não, né, que ele já tinha falado com um rapaz que é advogado pra ele me auxiliar melhor nisso", disse.
Ela disse ainda que foram retirada às pressas da maternidade, sendo levadas diretamente para a cidade onde moram, sem registrar boletim de ocorrência.
"Eu disse 'olha, chama a polícia, eu quero que chame a polícia', e o que fizeram por elas, foi chamar uma psicóloga, pra falar com elas. Foi só isso! Tiraram a gente de lá às pressas no carro. Assinaram lá os papéis pra vir deixar a gente em casa. Eu fico indignado demais, porque a maternidade estava todo o tempo querendo abafar", relatou revoltada.
Entenda o caso
Um recém-nascido foi quase levado, de forma ilegal, da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, nesta segunda-feira (06). As vítimas apontam que duas mulheres são suspeitas de envolvimento na ação, sendo que uma delas teria se passado por paciente enquanto a outra se apresentou como funcionária da unidade.
De acordo com relato de Daniela Marcos ao A10+, tia da bebê, a criança quase foi levada após a suspeita conquistar a confiança da família. A mãe da recém-nascida havia recebido alta hospitalar, mas a bebê permaneceria internada até o dia seguinte. Nesse momento, a mulher se aproximou afirmando que trabalhava no local e ia conseguir a liberação da bebê.
“A gente chegou no sábado, ela teve o neném por volta de 16h. Hoje foi que a mãe conseguiu alta, mas a bebê só sairia amanhã. Foi então que essa mulher se aproximou, muito simpática, dizendo que ia tentar resolver a situação para a gente. Em um momento, eu entreguei a neném por pouco tempo, e ela colocou a criança dentro da bolsa e foi para o banheiro. Se eu não tivesse ido atrás, tinham levado e ninguém teria visto”, relatou Daniela ao A10+.
Veja abaixo a nota da maternidade sobre o caso:
A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER) informa que, nesta segunda-feira (06), foi registrada uma ocorrência envolvendo uma tentativa de retirada irregular de um recém-nascido da unidade.
A ação foi prontamente identificada pelos protocolos de segurança da maternidade, e a equipe agiu de forma imediata, impedindo que a tentativa fosse concretizada. A direção da maternidade adotou todas as providências cabíveis, comunicou imediatamente as autoridades competentes e está colaborando integralmente com a apuração dos fatos.
Neste momento, as circunstâncias da ocorrência ainda estão sendo investigadas. Por esse motivo, a instituição não irá antecipar informações que possam comprometer o trabalho das autoridades ou a correta elucidação do caso.
A NMDER reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, acompanhantes e profissionais, destacando que os protocolos de controle de acesso e vigilância demonstraram efetividade ao impedir que a tentativa tivesse êxito.