Paternidade atípica: uma história de dedicação e afeto que transforma vidas em Teresina

No Dia dos Pais, histórias de superação mostram como o diagnóstico, conhecimento e o apoio familiar fazem diferença para as crianças neurodivergentes

O Dia dos Pais é também um momento para dar visibilidade às histórias de homens que vivem a paternidade de forma atípica. Além dos desafios comuns da criação dos filhos, esses pais enfrentam barreiras relacionadas ao diagnóstico, ao tratamento e à inclusão, transformando dificuldades em aprendizado, dedicação e amor.


É o caso de Fábio Miranda de Oliveira, pai de Bernardo Gael, de seis anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e altas habilidades, e de Railton Gabriel, de 13 anos, que possui Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Para ele, o primeiro grande desafio foi compreender e aceitar o diagnóstico do filho, além de reorganizar a própria rotina para garantir o acompanhamento necessário.

  

Paternidade atípica: uma história de dedicação e afeto que transforma vidas em Teresina
TV Antena 10

   

"Primeiro é o diagnóstico, você aceitar, o que é muito difícil. Você descobre, com o passar do tempo, pelas atitudes dele, que há algo diferente, que ele não é igual aos outros. Ele demora a falar, demora a chamar o nome do papai, em alguns casos demora até a caminhar. E aí você vai em busca de um diagnóstico. Quando você descobre o espectro autista, você ainda não sabe o que é, de onde vem aquilo, como tratar. É quando você precisa aceitar e, após aceitar, começa a busca pelo tratamento. Eu deixei de trabalhar no turno da tarde para me dedicar ao tratamento dele, porque ele precisa desse tratamento no primeiro momento da vida dele", disse Fábio Miranda de Oliveira à TV Antena 10. 

Para Fábio, a experiência da paternidade atípica mudou a forma como ele enxerga não apenas o próprio filho, mas também o ser humano no geral. Segundo ele, o acolhimento e a dedicação passam a fazer parte da rotina da família.

"Ser pai de autista é isso: é se dedicar mais, é amar mais, é aceitar mais. A gente passa a aceitar mais o ser humano, aceitar a diversidade do ser humano e acolher, não só meu filho, como também aqueles outros autistas que precisam de acolhimento", relatou Fábio.

Ao longo da jornada, Fábio percebeu que o tratamento vai além das sessões com profissionais. Ele destaca que a participação ativa da família e a busca constante por conhecimento são fundamentais para o desenvolvimento da criança.

  

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"Eu passei a estudar sobre o autismo para entender meu filho, entender como funciona o tratamento, porque isso é importantíssimo. Não adianta a gente pegar uma criança autista, entregar na mão de uma terapeuta, em uma clínica, ir embora e voltar duas horas depois para buscá-la e ir para casa. Não. Você tem que participar, você tem que estudar, você tem que se dedicar. Então, eu, juntamente com a minha esposa e com a família, meus outros dois filhos, estudamos o autismo. Fomos atrás de conhecimento sobre o autismo, em busca dos melhores profissionais para ajudar o Bernardo nessa jornada de melhoria e tratamento", contou.

Além do acompanhamento de Bernardo Gael, a família também precisou ampliar os estudos quando Railton Gabriel recebeu o diagnóstico de TDAH. A experiência anterior contribuiu para que a busca por informações e pelo tratamento acontecesse de forma ainda mais consciente.

"Já tendo conhecimento sobre o autismo, a gente passou a estudar também sobre o TDAH por causa do Gabriel. E aí também chegamos ao diagnóstico dele e ao tratamento. Foi mais dedicação e mais amor. Então, para o Gabriel e para o Bernardo Gael, estudamos tudo sobre o autismo e passamos a estudar também sobre o TDAH, comprar livros sobre o assunto e acompanhar, nas redes sociais, os profissionais que falam sobre o tema, para que a gente pudesse ajudar o Gabriel também com o TDAH", falou.

  

No Dia dos Pais, histórias de superação mostram como o diagnóstico, conhecimento e o apoio familiar fazem diferença para as crianças neurodivergentes
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No Dia dos Pais, Fábio deixa um recado para outras famílias, reforçando a importância de observar os sinais, buscar orientação especializada e iniciar o tratamento o quanto antes.

"Pais, não sejam negligentes com o diagnóstico do seu filho. A qualquer sinal, se uma pessoa chegar e falar: 'Eu estou achando ele diferente, ele não interage com as crianças, ele não faz isso', vá em busca de conhecimento, vá em busca de um profissional, porque a criança sofre muito com isso, sofre muita rejeição. A criança precisa ser tratada para ter um futuro melhor. Quando ela for maior, poderá ter a chance também de construir uma família. Então, não sejam negligentes com o diagnóstico do seu filho. E eu desejo a todos os pais, atípicos e não atípicos, um Feliz Dia dos Pais!", finalizou.