Vítimas relatam golpes de técnica de enfermagem presa em Teresina; comadre estima prejuízo acima de R$ 300 mil

Segundo os relatos, mulher dizia estar com câncer e precisava de dinheiro para tratamentos. Pelo menos dez pessoas teriam sido prejudicadas

Três mulheres que afirmam ter sido vítimas de golpes financeiros atribuídos à técnica de enfermagem Patrícia Vieira da Silva, presa na última quarta-feira (28), em Teresina, relataram como eram abordadas e convencidas a entregar dinheiro. Segundo os depoimentos, a investigada utilizava histórias de doenças graves e dificuldades financeiras para conseguir empréstimos e cartões de crédito.

Patrícia, moradora de São Pedro do Piauí, foi presa no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde trabalhava. Ela é investigada por suspeita de estelionato contra colegas de profissão, amigas e pessoas próximas.

Vítimas relatam golpes de técnica de enfermagem presa em Teresina; comadre estima prejuízo acima de R$ 300 mil Reprodução
   

De acordo com os relatos, a técnica de enfermagem dizia estar com câncer e precisava de dinheiro para cirurgias, exames e sessões de quimioterapia. Em outras ocasiões, afirmava que a mãe estava doente ou que sofria ameaças de integrantes de facções criminosas.

As vítimas contaram que Patrícia costumava procurá-las chorando e demonstrando desespero, despertando solidariedade e confiança. Mais de dez pessoas teriam sido prejudicadas, conforme informações recebidas pelo Canal 121.

Comadre estima prejuízo superior a R$ 300 mil

Um dos maiores prejuízos relatados é o de Antônia Matos, agente comunitária de saúde em São Pedro do Piauí e técnica de enfermagem no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina. Ela era amiga e comadre de Patrícia.

Segundo Antônia, o primeiro pedido de ajuda aconteceu em maio de 2024, quando Patrícia afirmou que estava com câncer e precisava realizar uma cirurgia de urgência. Sensibilizada com a situação, a vítima fez um empréstimo de R$ 41.335 no Nubank, dividido em 48 parcelas.

Em outubro daquele ano, a investigada voltou a pedir ajuda, alegando que precisava de dinheiro para continuar o tratamento de quimioterapia. Dessa vez, Antônia contratou outro empréstimo, de R$ 6.190,53.

A vítima afirma que Patrícia pagou apenas 12 parcelas de cada contrato e depois deixou de cumprir os compromissos.

Ainda conforme o relato, a investigada também pediu cartões de crédito emprestados, alegando que precisava comprar uma televisão e alimentos. Antônia afirma que as operações realizadas não correspondiam às finalidades apresentadas.

A comadre também relata ter sido convencida a contratar um empréstimo consignado e uma renovação de crédito no valor de R$ 64.816, parcelados em 84 vezes.

Diante das dívidas acumuladas, Antônia afirma que precisou vender cabeças de gado e retirar dinheiro da poupança para tentar quitar os compromissos. Ela estima que o prejuízo ultrapasse R$ 300 mil, considerando empréstimos, encargos e outros valores.

Técnica de enfermagem teria feito empréstimo de R$ 16 mil

Outra vítima, Francisca Érika, também técnica de enfermagem, contou que trabalhava com Patrícia na UTI do Hospital HPM, em Teresina, e mantinha uma relação de amizade com ela.

Segundo Francisca, Patrícia alegou estar com câncer e pediu dinheiro para continuar o tratamento. Inicialmente, ela recusou, mas a investigada teria insistido e, em determinado momento, pedido seu celular.

De acordo com o relato, Patrícia acessou o aplicativo bancário da colega e realizou um empréstimo de aproximadamente R$ 16 mil no Banco do Brasil. Com as parcelas e os encargos, o valor total da dívida chegaria a cerca de R$ 53 mil.

Francisca afirma que começou a pagar as prestações, mas a investigada deixou de cumprir o acordo. Ela informou que denunciou o caso às autoridades ainda no ano passado.

Outra vítima calcula prejuízo de R$ 18 mil

A terceira mulher ouvida pela reportagem foi Adelina Patrícia, também técnica de enfermagem e moradora de Teresina. Ela contou que conheceu a investigada no ambiente de trabalho, no final de 2023.

Os primeiros pedidos de dinheiro teriam começado em agosto daquele ano, quando Patrícia afirmou que a mãe estava com problemas cardíacos e precisava realizar um cateterismo. Comovida, Adelina emprestou inicialmente R$ 1 mil e, depois, mais R$ 600.

Em 2025, a investigada voltou a procurá-la, dessa vez dizendo que estava com câncer na tireoide e precisava de tratamento particular. Segundo Adelina, foram feitos sucessivos pedidos de dinheiro, incluindo valores de R$ 4 mil, R$ 6 mil, R$ 5 mil e outro de R$ 4 mil.

Ela afirma que parte dos valores foi devolvida, mas, ao perceber o prejuízo acumulado, calculou uma perda de aproximadamente R$ 18 mil.

Investigada alegou vício em jogos de azar

Segundo informações da investigação policial, Patrícia foi indiciada por estelionato em 8 de maio deste ano, após inquérito conduzido pelo delegado Bruno Luiz da Costa.


Em depoimento à Polícia Civil, ela confirmou ter recebido dinheiro emprestado de uma das vítimas, mas atribuiu as dificuldades financeiras ao vício em jogos de azar, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”.

A investigada afirmou que perdeu o controle das finanças, acumulou dívidas e não conseguiu continuar pagando os empréstimos. Também negou ter utilizado os dados da vítima para tentar contratar outros créditos.

Após o indiciamento, o relatório foi encaminhado ao Poder Judiciário. Em 28 de agosto, o Ministério Público solicitou o retorno dos autos à autoridade policial para ouvir cinco testemunhas indicadas pela vítima.