A Polícia Civil do Piauí (PC-PI) cumpriu um mandado de internação provisória contra um adolescente identificado apenas pelas iniciais J.C.S.M., investigado por atos infracionais análogos aos crimes de ameaça, apologia ao crime, incitação ao crime, além das contravenções de porte de arma branca e falso alarme.
O caso teve início em 02 de março de 2026, quando o adolescente foi apreendido em flagrante dentro de uma escola estadual da zona Norte da capital após publicar, em uma rede social, mensagens anunciando a intenção de promover um ataque na unidade de ensino. Durante a abordagem, policiais militares encontraram com ele uma faca e uma balaclava. Segundo a investigação, o próprio adolescente afirmou que pretendia cometer o atentado em razão de conflitos vivenciados no ambiente escolar.
Inicialmente, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que concedeu remissão, posteriormente homologada pela Justiça. No entanto, a Polícia Civil decidiu aprofundar as investigações, principalmente porque o celular apreendido ainda não havia sido periciado.
Com autorização judicial, foi realizada a extração dos dados do aparelho. Entre os conteúdos encontrados estavam pesquisas relacionadas à aquisição de armas de fogo, buscas por escolas de Teresina, referências a datas de massacres em instituições de ensino e materiais que exaltavam autores de ataques escolares. Os investigadores também localizaram:
- um vídeo gravado pelo adolescente utilizando uma balaclava de caveira semelhante à usada por um dos autores do massacre de Suzano, enquanto segurava uma faca
- vídeo fazendo referência ao ataque na Escola Robb Elementary, no Texas (Estados Unidos)
- vídeo fazendo referência ao ataque ocorrido na Escola Estadual Thomázia Montoro, em São Paulo, em 2023
- uma montagem com imagens das vítimas do massacre de Suzano, também em São Paulo
Reprodução
Segundo a Polícia Civil, conversas extraídas de aplicativos de mensagens reforçaram os indícios de planejamento. Em um dos diálogos, o adolescente afirmava que pretendia fabricar bombas caseiras e conseguir uma arma de fogo. Em outra conversa, discutia formas de esfaquear possíveis vítimas e mencionava possuir uma faca e uma machadinha, além de relatar que um conhecido tentaria conseguir um revólver calibre 38.
Outro fator considerado decisivo para o pedido de internação foi o fato de que, durante acompanhamento psicológico realizado pelo CAPS Infantojuvenil, o adolescente voltou a manifestar, recentemente, a intenção de promover um massacre em uma escola. Em razão desse comportamento, a direção da unidade de ensino decidiu afastá-lo novamente das atividades escolares.
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil representou pela internação provisória, medida posteriormente autorizada pelo Poder Judiciário diante dos indícios de autoria, da gravidade dos fatos e da necessidade de preservar a segurança da comunidade escolar.