O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 divulgado nesta quinta-feira (23) revelou que o Piauí registrou uma redução de 7,5% no número de feminicídios entre 2024 e 2025. Apesar da queda no estado, o cenário nacional segue preocupante: o Brasil registrou aumento de 4,5% nesse tipo de crime, alcançando o maior percentual de mulheres assassinadas por razões de gênero desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015.
No Piauí, foram contabilizados 40 feminicídios em 2024 e 37 em 2025. Já no Brasil, os registros passaram de 1.504 para 1.571 vítimas no mesmo período. Além disso, foi divulgado também que o Piauí apresentou, em 2025, o menor índice de mortes violentas entre os estados do Nordeste.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os dados revelam uma mudança no perfil da violência letal contra as mulheres no Brasil. Enquanto diminuem os assassinatos relacionados à criminalidade urbana, permanecem elevados os crimes cometidos dentro do ambiente doméstico.
"O que os dados mostram pode ser lido como um recuo seletivo da violência letal contra mulheres. O que está caindo são os registros da violência que atinge mulheres supostamente em contextos de criminalidade urbana (como casos de disputa territorial e mercados ilícitos), cuja dinâmica também aparece em explicações para a queda das mortes violentas intencionais no país como um todo. Por outro lado, a violência letal que atinge mulheres dentro de casa, cometida por pessoas que elas conheciam e, na maior parte dos casos, amaram, não tem caído. Ela é a violência que permanece mesmo quando a outra recua", diz o documento.
Ainda de acordo com o levantamento, 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil em 2025 foram vítimas de feminicídio, o maior percentual registrado desde a criação da tipificação penal do crime.
Vítimas com medidas protetivas
O levantamento também mostra que parte das vítimas de feminicídio já possuía medidas protetivas de urgência em vigor quando foi assassinada. No Piauí, 4 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024 mesmo estando amparadas por medida protetiva, número que permaneceu o mesmo em 2025. No Brasil, os casos passaram de 67 para 70, representando um aumento de aproximadamente 4,5%.
Tentativas de feminicídio diminuem no PI
As tentativas de feminicídio apresentaram queda no Piauí. Foram 82 registros em 2024 contra 74 em 2025, redução de 9,8%. Em sentido contrário, o Brasil registrou crescimento de 6,3%, passando de 3.940 para 4.189 tentativas.
Lesão corporal por violência doméstica e ameaça aumentam no PI
Os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra mulheres cresceram 3,5% no Piauí, passando de 1.639 ocorrências em 2024 para 1.696 em 2025. No Brasil, o aumento foi de 3%, com os registros subindo de 277.916 para 286.270 casos.
Os casos de ameaça também aumentaram no estado. O Piauí passou de 14.396 registros em 2024 para 15.766 em 2025, crescimento de 9,5%. Em todo o país, os registros passaram de 781.162 para 788.531, alta de aproximadamente 0,9%.
Casos de perseguição e violência psicológica disparam
Entre os indicadores com maior crescimento está o crime de perseguição, conhecido como stalking. No Piauí, os registros saltaram de 1.371 para 1.803 casos, um aumento de 31,5%.
No Brasil, o crescimento foi ainda mais expressivo em números absolutos, passando de 94.836 para 123.871 registros, alta de 30,6%.
Os dados também apontam um aumento expressivo da violência psicológica contra mulheres. No Piauí, os registros passaram de 481 em 2024 para 767 em 2025, crescimento de 59,5%.
Em nível nacional, os casos aumentaram de 51.830 para 60.830, representando alta de 17,4%.
Os indicadores reforçam que, embora alguns crimes letais tenham apresentado redução no Piauí, a violência contra a mulher continua registrando alta.