A terapeuta piauiense Gabriela Martins Santos Moura, de 31 anos, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento de retirada de óvulos em uma clínica de fertilização em São Paulo. O caso aconteceu no dia 17 de maio e é investigado pela polícia como morte suspeita.
Imagens de câmeras de segurança mostram uma intensa movimentação de funcionários da clínica poucos minutos após Gabriela entrar no centro cirúrgico. Cerca de 18 minutos depois do início do procedimento, profissionais aparecem correndo pelo hall da unidade informando ao marido da vítima o que tinha acontecido. O marido da terapeuta, Samuel, que também é médico, relatou o desespero ao receber a notícia de que a esposa havia sofrido uma parada cardíaca durante o procedimento.
“Toda hora quem fala comigo é a doutora Aline e o dono da clínica. Os dois falam, tentam me acalmar. Eu pergunto o que aconteceu, quanto tempo ela ficou parada. Aquele momento em que todo mundo fica sem saber o que dizer”, disse Samuel, marido da vítima.
Do lado de fora da clínica, outra câmera registrou o momento em que a equipe de resgate chegou ao local, às 8h35. Cerca de 40 minutos depois, às 9h12, Gabriela deixou a unidade em uma maca e foi encaminhada de ambulância para um hospital.
No prontuário médico, a profissional responsável pelo atendimento informou que o anestesista percebeu a ausência de pulso na paciente e iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardíaca. Gabriela chegou a ser estabilizada e apresentava batimentos cardíacos quando foi entubada.
Em nota, a clínica informou que todos os protocolos previstos foram adotados para tentar reverter o quadro clínico da paciente. A responsável pela clínica afirma que foram usados todos os recursos para a reversão do quadro dentro dos padrões exigidos pela regulamentação vigente, inclusive com o acionamento da equipe de emergência para a pronta remoção da paciente ao hospital.
Gabriela permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante oito dias, até ter a morte cerebral confirmada. O marido acredita que pode ter havido atraso na identificação da parada cardíaca durante o procedimento anestésico.
“No momento da assistência, principalmente anestésica, ocorreu algum atraso ou alguma falha de percepção de que ela estava em parada cardíaca”, disse Samuel.
No início deste mês, outra morte semelhante também passou a ser investigada em São Paulo. A juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu após passar por um procedimento de coleta de óvulos em uma clínica de Mogi das Cruzes. Segundo as investigações, ela sofreu uma forte hemorragia, chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu.
Especialistas destacam que complicações graves em procedimentos de fertilização são consideradas raras, mas ressaltam a importância de estrutura adequada e suporte hospitalar para casos emergenciais.
“A chance de uma complicação numa coleta de óvulos, numa fertilização in vitro, é de um para cada 300 mil casos. É muito raro. Quando acontece, é grave, mas você tem que ter todo o suporte necessário, hospital de retaguarda para socorrer essa paciente”, disse um médico especialista.
A Polícia Civil aguarda o laudo necroscópico, documento que deverá apontar a causa da morte de Gabriela e auxiliar nas investigações sobre possíveis falhas no atendimento médico.