Prejuízo de R$ 500 mil, vítimas no Piauí e uso de contas laranjas: saiba como agiam alvos da Operação Falso Advogado

Mais de 10 pessoas foram presas com bloqueios de várias contas bancárias; Polícia Civil do Piauí participou da ação que ocorreu em outros estados

A Polícia Civil do Piauí concedeu entrevista coletiva e deu detalhes sobre a Operação Falso Advogado, que cumpriu 62 medidas judiciais em pelo menos quatro estados brasileiros, nesta quarta-feira (04).

O delegado-geral Luccy Keiko afirmou que, até o momento 14 pessoas foram presas, com bloqueios de várias contas. Dentre os detidos, há cinco lideranças do grupo criminoso. No total, há ainda pelo menos 50 clientes e 120 advogados vítimas dos alvos.

 

Prejuízos de R$ 500 mil, vítimas em vários estados e uso de contas de laranjas: saiba como agiam alvos da Operação Falso Advogado no Piauí
Divulgação

   

"Depois que eles tinham acesso à petição inicial e aos despachos, eles passavam a manter contato com as vítimas, se fazendo passar pelo advogado que ajuizou a ação, inclusive pesquisavam a foto do advogado, faziam um WhatsApp, colocaram aquela foto e diziam: sua ação aqui foi julgada procedente, você tem, por exemplo, 50 mil reais para receber, você tem que pagar 10 mil reais de custas [processuais]. E dava ali o número de uma conta, de algum laranja, e a vítima transferia. Basicamente, o golpe era esse e os advogados passaram a procurar a delegacia", destacou.

O delegado ressaltou a parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil- Seccional Piauí para identificar a forma como os crimes ocorriam a partir de vítimas aqui no estado. As investigações apontaram que os criminosos se concentravam, principalmente, na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará.

 

Coletiva de imprensa da SSP-PI
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"Nós tivemos prisões em outros estados também, então, isso ocorreu já em muitos estados. O estimativo de valor do prejuízo das vítimas foi em torno de 500 mil reais. Mas do que foi aprendido, nós ainda não temos a estimativa de valores, porque o Banco Central mandou bloquear todas as contas de vários bancos", explicou.

O delegado pontuou que as operações devem se estender para próximas fases também em outros estados. "Já temos outros inquérito instaurados com mais vítimas para que a gente realmente reprima de maneira forte esse tipo de delito aqui do Piauí", concluiu.

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O delegado Humberto Mácola acrescentou que não foram confirmados que os alvos seriam também advogados e até mesmo servidores públicos. "Nessa primeira operação, não tivemos ainda alvos que fossem categorizados como advogados ou como servidores públicos. As informações foram obtidas por meio do sistema judicial. O próprio judiciário já criou novas ferramentas de proteção que estão sendo muito efetivas. Teremos outras operações e essa linha de investigação não é descartada, a eventual participação de quem quer que seja", disse. 

Ainda segundo o delegado, os alvos já respondem por outros crimes também, incluindo roubo e tráfico de drogas. Alguns dos criminosos diretos tinham o perfil de não trabalhar, e outros envolvidos, supostos "laranjas", tinham profissões variadas, desde entregador por aplicativo até garçom. 

"Eles já respondem por roubo, por estelionato, eles têm um perfil de não trabalhar, realmente não têm uma fonte lícita de renda. Em relação aos outros, que a gente pode categorizar como laranjas, aí você vê várias profissões, estamos falando desde profissão de pessoas com entregadores de aplicativo até garçom. Infelizmente, essa cultura de empréstimo de conta está crescendo no Brasil. Pessoas estão emprestando suas contas, o que é errado. Ao nosso ver, dentro da nossa investigação, são tão culpados [laranjas], tão responsabilizados, quanto aqueles que abordam as vítimas. É a mesma figura do receptador. Não existe o roubo de celular, o furto de celular, sem a figura do receptador. Se o receptador sumir, o roubo não será mais vantajoso. Se o laranja sumir, o crime do golpe cibernético não será mais vantajoso", concluiu.