Após a Polícia Federal encaminhar ao STF (Supremo Tribunal Federal) um laudo sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, a defesa pediu novamente prisão domiciliar. Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília.
Segundo a defesa, o laudo elaborado pelos peritos oficiais apontou ser “inegável a presença de comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento”.
“O quadro de multimorbidade grave, composto por doenças crônicas múltiplas, sequelas cirúrgicas relevantes, alterações funcionais e a interação dos medicamentos necessários foi corroborado por todos os laudos apresentados. Assim como a potencialização de riscos clínicos de elevada gravidade”, disse.
O documento da PF analisou diagnósticos, riscos clínicos e as condições necessárias para o cumprimento da pena em ambiente prisional. Veja, abaixo, os principais pontos.
Os peritos apontaram estabilidade clínica. As doenças crônicas do ex-presidente estão sob controle com medicamentos e acompanhamento médico.
O quadro atual não exige internação hospitalar nem transferência para hospital penitenciário, na avaliação da Polícia Federal.
Doenças confirmadas
A perícia confirmou a existência de:
- Hipertensão arterial, controlada com remédios, com registros de tontura ao se levantar;
- Apneia obstrutiva do sono em grau grave, com uso de aparelho CPAP (aparelho para apneia);
- Obesidade clínica;
- Aterosclerose, com placas nas artérias carótidas;
- Doença do refluxo gastroesofágico, com inflamação no esôfago;
- Sequelas de múltiplas cirurgias abdominais, com risco de dor e obstrução intestinal;
- Histórico de lesões de pele tratadas cirurgicamente.
Condições descartadas
Os peritos não encontraram elementos suficientes para confirmar:
- Pneumonia bacteriana recorrente;
- Anemia;
- Perda severa de massa muscular;
- Depressão.
Risco de morte
O laudo da Polícia Federal confirma a existência de risco de morte para Bolsonaro, mas ressalta que esse risco está condicionado à ausência de tratamento e monitoramento adequados.
Os peritos da PF responderam afirmativamente a perguntas específicas formuladas pela defesa que abordavam o risco de morte em cenários de falta de assistência.
Para a defesa do ex-presidente, os trabalhos técnicos convergem para o fato de que Bolsonaro se encontra sob evidente risco clínico.
“A perícia oficial confirma que a manutenção da vida do Peticionário no cárcere depende da execução infalível de um protocolo médico complexo, o qual desnatura a própria lógica do ambiente prisional”, afirmou.