Resistência a Messias diminui, mas indicado de Lula busca apoio de senadores para chegar ao STF

Advogado-geral enfrenta sabatina em 29 de abril, sob críticas da oposição; base governista promete trabalhar por nome ao cargo

A resistência ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para assumir uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal) diminuiu entre senadores, mas o cenário de aprovação ainda é incerto e conta com a necessidade de construção de apoio, segundo a avaliação de parlamentares ao R7.

A previsão é reforçada, sob reserva, por senadores aliados que fazem parte da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O colegiado será o responsável pela sabatina, marcada para o próximo 29 de abril. Ele também depende do apoio de ao menos 41 senadores na votação do plenário.

  
Messias depende do apoio de ao menos 41 senadores na votação do plenário Daniel Estevão/AscomAGU
 

O AGU tem como certos 32 votos, considerando apenas a composição de partidos da base governista — como PT, PSB, PSD e PDT. Ele tem recebido, ainda, acenos de parlamentares de outras legendas, como MDB e PP.

O relator do processo de condução de Messias ao Supremo, senador Weverton Rocha (PDT-MA), citou expectativa de que ele consiga mais do que os 13 votos necessários na CCJ e alcance apoio no Senado.

“Me arrisco a dizer que está mais ou menos com caminho construído para ser aprovado no plenário do Senado Federal”, afirmou. Ele também disse que contribuirá com a campanha de Messias.

O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura do governo Lula, marcou posição a favor. “Vamos trabalhar” para levar adiante o nome de Messias, indicou.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também tem pontuado a necessidade de que a cadeira seja preenchida.

Nesse momento, parlamentares consideram que o desconforto da indicação de Lula, por ter preterido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), diminuiu. O cenário pode reduzir ressalvas de parlamentares e facilitar a vida de Jorge Messias.

Oposição

Em outra frente, a oposição tem marcado campanha contra o nome de Lula ao Supremo. Por meio de nota, divulgada na sexta (10), o senador Rogério Marinho (PL-RN) pediu para que os senadores rejeitem Messias para ocupar a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.

“Não se trata de uma escolha trivial ou meramente administrativa. Está em jogo a preservação da independência da mais alta Corte do país. A indicação recai sobre um nome diretamente vinculado a um projeto de poder e associado a iniciativas que tensionaram garantias fundamentais”, afirmou Marinho.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) também considera que Messias não está apto para a vaga.

“Eu acho que hoje ele não tem o número de votos necessário na CCJ”, diz, enquanto também critica o formato da sabatina: “Termina sendo algo muito mecânico, porque, na minha visão, a sabatina deveria durar várias etapas”.

Na quinta-feira (9), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou a mensagem com o nome de Messias ao presidente da CCJ, destravando a tramitação da indicação de Lula após quase cinco meses desde o anúncio.

A previsão é de que, ao longo das próximas três semanas, o advogado-geral da União siga em campanha entre senadores, conforme reiterou após o processo de indicação.

“Até a data da sabatina, permanecerei buscando o diálogo franco e aberto com todos os 81 senadores, de forma respeitosa, transparente e propositiva”, disse.

O relatório inicial favorável a Jorge Messias será apresentado na próxima quarta-feira (15) por Weverton Rocha.