Jovem colombiano de 18 anos tem órgãos doados no HUT após morte encefálica; um foi para paciente no Ceará

Cinco transplantes foram realizados; fígado foi encaminhado ao Ceará e rins e córneas beneficiaram pacientes em Teresina

Em um gesto de solidariedade e generosidade, a família do colombiano Miguel Angel Ozuna, de 18 anos, autorizou a doação dos órgãos do jovem após a confirmação da morte encefálica. A captação foi realizada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), da Fundação Municipal de Saúde (FMS), e possibilitou cinco transplantes em pacientes do Piauí e do Ceará.

O fígado foi destinado a um paciente no Ceará, enquanto os rins e as córneas foram encaminhados para pacientes em Teresina. A doação transformou um momento de profunda dor para a família em esperança para pessoas que aguardavam por um transplante. Miguel vivia em Teresina havia cerca de sete meses e estava internado no HUT desde o dia 19 de agosto, após sofrer um acidente de trânsito na BR-343, nas proximidades do município de Altos. Apesar dos cuidados intensivos durante a internação, o quadro clínico evoluiu para morte encefálica, confirmada na segunda-feira (31).

 

Jovem colombiano de 18 anos tem órgãos doados após morte encefálica no HUT
FMS
 

Após a captação dos órgãos, o corpo do jovem foi encaminhado à Colômbia, onde chegou nesta semana e foi recebido pela família. Em sua homenagem, foi realizado um cortejo marcado pela emoção e pela despedida dos familiares.

Como os pais de Miguel vivem em uma região rural da Colômbia, a autorização para a doação exigiu uma articulação entre a família, a equipe do HUT e representantes do Consulado da Colômbia no Brasil. O contato foi realizado por meio de uma chamada de vídeo, permitindo que os pais participassem diretamente da decisão, mesmo à distância.

Segundo a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos do HUT, Dra. Milena Cantuária, o caso também representou um desafio e uma experiência significativa para a equipe, devido à necessidade de articulação entre os dois países.

“Foi um processo que exigiu diálogo, acolhimento e articulação com a família e com o Consulado da Colômbia. Apesar da delicadeza do momento, conseguimos conduzir todas as etapas com respeito e segurança”, destacou.

A médica explicou que a doação de órgãos no Brasil pode ocorrer em situações específicas, como após o diagnóstico de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória, além da possibilidade de doação em vida, respeitando os critérios estabelecidos pela legislação.

“A autorização da família é obrigatória. Mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar, a legislação exige o consentimento dos familiares. Com a autorização, podem ser captados no HUT órgãos e tecidos, como fígado, rins e córneas”, explicou.

Milena também agradeceu à família de Miguel pela decisão de autorizar a doação: “A decisão de uma família de autorizar a doação de órgãos, especialmente em um momento tão difícil, representa um gesto de profunda solidariedade. A família de Miguel transformou a dor da perda em esperança para outras pessoas que aguardam por um transplante. Somos muito gratos por esse ato de amor e generosidade”, afirmou.