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O delegado Luciano Alcântara, responsável pelo inquérito que investiga o empresário Francisco Silva, conhecido pelo "Pagode do Chico", conversou com a imprensa logo após a prisão do indivíduo e deu detalhes sobre a investigação. Segundo o delegado, o acusado estava escondido no Paraguai e movimentou mais de R$ 600 milhões.
Durante entrevista, o delegado explicou que não é possível precisar a quantidade exata de vítimas, mas disse que o número passa de 300. Anteriormente a investigação apontava também para uma movimentação de R$ 450 milhões, mas o número subiu para mais de R$ 600 milhões, mais valores continuam surgindo.

Ainda segundo o delegado, o empresário estava escondido na Cidade do Leste, no Paraguai, junto com sua companheira, que não se entregou à polícia.
"Nós temos confirmado que muitos desses clientes, ao fazer os investimentos, eles receberam realmente, eles receberam rendimentos mensais, ou seja, muitos desses clientes receberam rendimentos, mas não receberam o valor completo, vamos dizer assim. E alguns que entraram por último, não receberam nada. Então aí é aí que reside o crime, e o que nós já falamos aqui sobre a questão da pirâmide financeira. Temos aí aproximadamente dois anos, pouco mais de dois anos, circulou entre as contas do Francisco e da empresa, mais de 600 milhões, deixando claro que o Francisco era o único sócio administrador dessa empresa, da empresa Xtreme", explicou.
As vítimas repassavam valores para o empresário via PIX, transferência bancária, em espécie ou por meio de cartão.
Contas bloqueadas e sobrevivendo de rendimentos
Ainda segundo o delegado, logo após as denúncias Chico desapareceu. Levou cerca de 2 meses até ele ter a contas bloqueadas e, neste período, já estava escondido em outro país. A polícia acredita que ele tenha utilizado também a conta da companheira para movimentar valores.
"Esse intervalo de tempo acredito eu que ele pode ter movimentado dentro da conta dela, ou ter tido uma ajuda porém, esse fato ele não revela. Ela teria desaparecido com ele em maio de 2025 e ele teria, lá de acordo com ele, realizado operações para poder receber um rendimento, para poder sobreviver, manter ele, manter ela também. Mas, de acordo com ele, ela estava com ele durante todo esse tempo em Cidade Leste", disse.
Em depoimento o empresário alega que não estava utilizando documentos falsos durante o período em que esteve foragido.
Estrutura da organização
Pelo menos cinco pessoas aparecem nas investigações, sendo que uma delas se desligou da empresa antes do caso vir à tona. Não houve nenhum pedido de prisão contra ele. Chico e outras duas pessoas, no entanto, já foram presas e agora apenas a companheira do empresário, Caira, está foragida. Na investigação ela aparece como ajudante na movimentação financeira.
"Bom, se resume a dizer que ela não tem participação, a fundamentação da prisão dela é no fato de ter circulado pelas contas dela valores financeiros que seriam provenientes da extrema, ou seja, provavelmente das vítimas. Porém, os advogados também disseram que, até o momento, não há, não há da parte dela a intenção de se apresentar", detalhou.
Após passar por audiência, o empresário deve ficar à disposição da Justiça. As autoridades estarão analisando quais são os possíveis crimes relacionados ao acusado.
Fonte: Portal A10+