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Os registros de temperatura feitos pela Rede Hiperlocal de Monitoramento Ambiental da Prefeitura de Teresina e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) podem apresentar diferenças. Isso ocorre porque as redes possuem finalidades, locais de instalação e condições de exposição diferentes.
Na terça-feira (6), o Inmet registrou 41 °C em Teresina, maior temperatura observada no Brasil naquele dia. No mesmo dia, o sensor da Prefeitura instalado na região do bairro Primavera chegou a 43,98 °C. Já nesta quarta-feira (7), a Rede Hiperlocal estabeleceu novo recorde da série municipal: 45,22 °C, às 14h13, também na região do bairro Primavera.
A diferença está, principalmente, naquilo que cada rede procura representar. As estações meteorológicas convencionais seguem critérios padronizados de instalação e exposição, fundamentais para permitir comparações entre cidades, regiões e séries históricas. A Organização Meteorológica Mundial destaca que a localização e a exposição dos instrumentos são determinantes para a representatividade das medições meteorológicas.

Já o monitoramento hiperlocal busca identificar variações dentro da própria cidade. Em áreas urbanizadas, características como pavimentação, edificações, cobertura vegetal, sombreamento, ventilação e materiais das superfícies podem produzir microclimas distintos em poucos quilômetros.
Por isso, o dado do Inmet continua sendo a principal referência para a temperatura meteorológica oficial e para comparações climatológicas, enquanto os sensores municipais acrescentam uma escala territorial mais detalhada, capaz de revelar onde o calor se torna mais intenso no ambiente urbano.
Para o coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, os dois sistemas são complementares. “Não estamos diante de informações concorrentes, mas de escalas diferentes de observação. O Inmet nos oferece a referência meteorológica oficial, indispensável para a climatologia. A Rede Hiperlocal permite enxergar como o calor se distribui dentro da cidade e identificar territórios onde as condições podem ser mais severas. Para o planejamento urbano e para a prevenção em saúde, conhecer essas diferenças é extremamente importante.”
Os dados desta quarta-feira reforçam essa função. Na região do bairro Primavera, além do pico de 45,22 °C, as médias de 15 minutos permaneceram acima de 44 °C por aproximadamente uma hora, demonstrando que o episódio não se resumiu a uma leitura isolada.
A Prefeitura ressalta, entretanto, que temperatura medida não é sinônimo de sensação térmica. A carga de calor sobre o corpo também depende de fatores como umidade, vento, radiação solar, atividade física e exposição direta ao sol. Dessa forma, as duas redes devem ser interpretadas de acordo com sua finalidade e, em conjunto, ajudam a compreender com maior precisão os efeitos do calor extremo em Teresina.
Fonte: Prefeitura de Teresina