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A opala piauiense vive um novo momento impulsionado por ciência, tecnologia e articulação institucional. Isso se deve à retomada do Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala, projeto coordenado pelo geólogo Érico Gomes, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e pela professora Lilane Brandão, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Planejamento (Seplan).
A iniciativa, que reúne mineradores, artesãos, empreendedores e pesquisadores, vem estruturando a cadeia produtiva, promovendo qualificação e inserindo a opala de Pedro II em um novo patamar no mercado nacional e internacional. Para os pesquisadores, trata-se da melhor oportunidade em 80 anos de exploração da gema no estado.

Encontrada principalmente em Pedro II, a opala piauiense se destaca pela resistência e pelo característico “jogo de cores”, atributos que a colocam entre as mais valorizadas do mundo. Apesar disso, por décadas, sua exploração ocorreu de maneira informal, com baixa tecnologia e sem certificação, o que dificultava a inserção nos mercados mais exigentes. Esse cenário começou a mudar com a atuação integrada do APL, que passou a investir em qualificação técnica, inovação e sustentabilidade.
Entre os avanços, está a criação de um índice de sustentabilidade que avalia aspectos sociais, ambientais e econômicos da atividade, além de estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e ao reaproveitamento de resíduos da mineração.
A pesquisa busca identificar a “assinatura” da opala piauiense, etapa fundamental para garantir autenticidade, agregar valor e ampliar a presença no mercado internacional. Em menos de dois anos, o projeto já resultou na capacitação de garimpeiros e artesãos, no fortalecimento da governança do setor e no início do processo de internacionalização da opala piauiense. Em 2024, Teresina sediou o Inova Joalheria, primeiro congresso do segmento no Nordeste, reunindo especialistas em design, tecnologia e mercado.

No mesmo ano, foi reaberto em Pedro II o Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais (CETAM), após quase duas décadas. O espaço passou a atuar na formação profissional, oferecendo cursos em gemologia, lapidação, ourivesaria e design 3D, ampliando o acesso ao setor.
“Foi no CETAM que ampliei minha visão da profissão”, afirma a designer Ravena Barroso. “Foi lá que tive a oportunidade de aprofundar conhecimentos técnicos e acessar tecnologias”, completa. Para Edielly Chrístini, o impacto está na ampliação do acesso: “A joalheria sempre foi muito centralizada em poucas famílias. Os cursos do CETAM abriram essa porta”. Ela destaca ainda o potencial da gema: “Muita gente nem sabe o que é a opala do Piauí. Quando conhece, fica encantada”.
Para profissionais da área, a iniciativa tem ampliado oportunidades e democratizado o acesso à joalheria, antes concentrada em poucos grupos. A participação em feiras também tem ajudado a divulgar a opala piauiense, ainda pouco conhecida fora do estado. Em 2025, a gema ganhou destaque internacional na Tucson Gem Fair, nos Estados Unidos. Outro avanço importante foi a visita de pesquisadores do Gemological Institute of America (GIA), que coletaram amostras para estudos de certificação de origem.
Na avaliação do presidente da Fapepi, João Xavier, o projeto reforça o papel das fundações de pesquisa. “Nosso investimento é também simbólico. Trata-se de reposicionar o Piauí na gemologia internacional e transformar ciência em desenvolvimento”. A atuação da Fapepi foi decisiva para estruturar o Arranjo Produtivo Local (APL), que passou a integrar qualificação técnica, inovação e manejo responsável, com a criação de um índice de sustentabilidade voltado às dimensões sociais, ambientais e econômicas da atividade.
A iniciativa também inclui ações para tornar a cadeia mais justa e inclusiva. Segundo a professora Lilane Brandão, o objetivo é “conciliar exploração mineral, recuperação de áreas degradadas e justiça social”. No eixo da sustentabilidade, estudos como o diagnóstico ambiental da mina do Boi Morto e o reaproveitamento de resíduos da lavra demonstram a viabilidade de aliar produção, preservação e geração de renda.
As ações integradas no eixo de sustentabilidade tiveram a participação dos alunos Francisca Rosa (MAPEPROF/IFPI) e Guilherme Viana (PPGEM/IFPI), sob orientação do professor Érico Gomes.
Fonte: Portal A10+