Unimed Teresina é denunciada no Ministério Público por impor barreiras a tratamento de criança com autismo no Piauí - Geral
DENÚNCIA

Unimed Teresina é denunciada no Ministério Público por impor barreiras a tratamento de criança com autismo no Piauí

A denúncia aponta que o plano não nega formalmente o tratamento. Em vez disso, cria sucessivas barreiras administrativas


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Atualizada às 16h10

Um família de criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denuncia uma prática sistemática da Unimed Teresina que dificulta o acesso a terapias essenciais, especialmente aquelas baseadas na metodologia ABA (Análise do Comportamento Aplicada). O caso foi levado ao Ministério Público do Estado do Piauí por representar um problema que impacta direto sobre crianças neurodivergentes em situação de alta vulnerabilidade.

De acordo com a denúncia, uma criança com deficiência visual, intelectual e condição clínica rara, associada ao TEA, necessita de tratamento multiprofissional intensivo, contínuo e individualizado, conforme prescrição médica. O acompanhamento envolve terapeutas especializados, plano terapêutico individualizado (PTI), supervisão técnica, treino parental e ajustes constantes conforme a evolução clínica — requisitos considerados indispensáveis para a efetividade do método ABA.

 

Unimed Teresina
TV Antena 10

 

O maior obstáculo, porém, não estaria no diagnóstico ou no tratamento em si, mas na postura administrativa do plano de saúde Unimed Teresina. Segundo os pais, ao longo de anos, a empresa teria adotado uma conduta padronizada para restringir, de forma indireta, o custeio das terapias, especialmente quando realizadas fora de uma estrutura própria vinculada à operadora.

Burocracia como forma de pressão

A denúncia aponta que o plano não nega formalmente o tratamento. Em vez disso, cria sucessivas barreiras administrativas para o reembolso das terapias pagas com recursos próprios pela família. “A Unimed Teresina exige permanentemente a apresentação repetida e detalhada de recibos, notas fiscais, comprovantes bancários, fichas de frequência minuciosas, relatórios terapêuticos e novas documentações já solicitadas quando o prazo de análise já está prestes a vencer e assim ganha mais tempo e não paga”, explica Vagner Mendes, pai da criança.

Esse processo, descrito como uma “burocratização em camadas”, faz com que o prazo legal de até 30 dias para reembolso seja constantemente esvaziado, estendendo-se por 60, 90 dias ou mais. O resultado é a imprevisibilidade financeira e o risco real de interrupção de tratamentos contínuos e de alto custo.

Além disso, há relatos de glosas consideradas inconsistentes, como a negativa de pagamento pelo simples fato de constar o termo “supervisor” no carimbo do profissional, ignorando que a supervisão técnica é parte estrutural do método ABA. Para os denunciantes, trata-se de uma estratégia que transfere o ônus financeiro e emocional para as famílias, sem assumir explicitamente uma negativa de cobertura.

“Essas práticas do plano de saúde Unimed Teresina podem resultar na redução da intensidade terapêutica, interrupções no tratamento ou substituições forçadas de profissionais — consequências especialmente graves para pessoas com autismo. O Ministério Público foi acionado pela família porque o que está em jogo, segundo a denúncia, não é apenas um caso isolado, mas um modelo de atuação que pode comprometer o direito à saúde de inúmeras crianças e pessoas com deficiência no estado”, explica o advogado Lucas Freitas, representante de uma das famílias.

O que diz a Unimed?

A Unimed Teresina, cooperativa médica que atende mais de 100 mil beneficiários no Piauí, recebeu com atenção a reportagem veiculada e reforça seu compromisso com a transparência e o atendimento de qualidade a todos os seus clientes.

Por questões éticas e de sigilo médico, a Unimed Teresina não comenta casos individuais em andamento, sejam administrativos ou judiciais. Esclarece, contudo, que atua em total conformidade com as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a legislação vigente, garantindo a cobertura assistencial prevista contratualmente.

Demonstrando sua dedicação ao tema, a Unimed Teresina inaugurou em2025 o Espaço THEAcolher - Centro de Terapias Especiais Unimed, um dos maiores centros deste tipo no Brasil, especializado no tratamento de transtornos como o TEA. Com 124 salas de atendimento e estrutura completa, o centro oferece intervenções baseadas na ciência ABA, recomendada pela OMS, atendendo uma demanda regional carente de infraestrutura, equipamentos e profissionais especializados. Em 2025, a cooperativa realizou mais de 32 mil sessões de terapias especiais em média por mês.

Quanto às alegações sobre processos administrativos, a Unimed Teresina esclarece que dispõe de recursos próprios e rede credenciada com disponibilidade de vagas. O procedimento de verificação documental para reembolsos, quando ocorre, é indispensável para verificar a realização dos procedimentos, a frequência e a adequação aos termos contratuais, protegendo tanto a operadora quanto todos os beneficiários.

A Unimed Teresina está à disposição pelo Fale Conosco: 0800 715 8077(segunda a sexta, 8h às 18h), reafirmando seu compromisso com ética, transparência e dedicação à saúde de todos os beneficiários.

Fonte: Portal A10+


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