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Acordo Mercosul-UE pode ajudar Brasil a diminuir dependência da China e dos EUA

Hoje, os dois países são responsáveis por quase 40% das exportações brasileiras


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Com o acordo entre Mercosul e União Europeia, o Brasil pode diminuir a dependência de dois de seus maiores parceiros comerciais: China e Estados Unidos. Em 2025, os países foram responsáveis por quase 40% de todas as exportações brasileiras.

Com o tratado de livre comércio com a UE, diversos produtos vão deixar de ser tarifados, fazendo com que os preços fiquem mais atrativos para os 27 países que compõem o bloco europeu.

 
União Europeia foi o destino de 14,3% das exportações brasileiras em 2025
Porto de Santos/Reprodução - Arquivo
 

“Entendo que o acordo amplia o leque de opções comerciais do Brasil, e do Mercosul, hoje muito concentradas na China e nos Estados Unidos, o que significa mais equilíbrio nas relações com o resto do mundo”, destaca o economista Roberto Piscitelli.

Segundo estimativas da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o acordo deve gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.

Em 2025, a União Europeia importou US$ 49 bilhões do Brasil, o equivalente a 14,3% de todas as exportações nacionais.

Aumentar o comércio com os países da UE é positivo para o Brasil para evitar ficar à mercê em episódios como o tarifaço dos EUA e imposições de cotas pela China.

Em 2025, com as tarifas extras aplicadas pelo governo de Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos tiveram queda de 6,6%. Mesmo assim, o Brasil conseguiu ter recorde de exportações devido à abertura de novos mercados.

“[O acordo Mercosul-UE] Previne, outrossim, restrições que poderiam comprometer — momentaneamente ou não — fluxos regulares de operações com parceiros relevantes”, explica Piscitelli.

E o comércio com a China?

Apesar da expectativa de que o Brasil aumente o comércio com a União Europeia, a relação com o gigante asiático não deve ter grandes impactos. É o que acredita o especialista em comércio exterior Felipe Teixeira, CEO da Ningbo BR GOODS.

“Em relação ao comércio entre Brasil e China, não acredito que, de uma maneira geral, vai ser prejudicada. De alguma forma pontual, dependendo do produto, se o Brasil ganhar uma atração grande no sentido de aumentar muito o volume de exportação para o mercado europeu, com certeza isso pode afetar esse item específico, diminuindo a quantidade que seria exportada para China”, detalha.

Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por 28,7% das exportações.

“Eu vejo de forma positiva. É mais um bloco econômico que faz uma redução de imposto, possibilitando novos mercados, deixando os produtos brasileiros mais baratos na outra ponta”, completa o especialista no comércio chinês.

Acordo Mercosul-UE

O acordo entre os blocos econômicos foi aprovado pelo Conselho da União Europeia na sexta-feira (9), e a assinatura formal deve ser feita no próximo sábado (17).

Após isso, os termos ainda precisarão ser aprovados pelo Parlamento Europeu e ratificados nos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A implementação das medidas será gradual ao longo de pelo menos 15 anos.

Fonte: R7


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