Corregedoria apura ação de PMs após homem em surto avançar contra policiais com facão e morrer baleado no Piauí - Polícia
INVESTIGAÇÃO

Corregedoria apura ação de PMs após homem em surto avançar contra policiais com facão e morrer baleado no Piauí

Ex-companheira diz que homem estava em surto e relata que pediu aos policiais para não atirarem. A vítima, segundo família, era esquizofrênico


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A Corregedoria da Polícia Militar do Piauí abriu procedimento para apurar a conduta de policiais envolvidos na ocorrência que terminou com a morte de Carlito da Silva Santos, na sexta-feira (26), no município de Campo Maior. O homem foi baleado após atacar e ferir dois policiais militares com um facão durante uma intervenção.

Segundo a Polícia Militar, a equipe foi acionada para conter uma briga familiar envolvendo o suspeito, que apresentava comportamento agressivo e portava uma arma branca. De acordo com a corporação, foram adotadas medidas progressivas de contenção, incluindo verbalização, uso de munição de elastômero e dispositivo de choque (Taser), mas o homem continuou avançando contra os agentes, o que levou ao disparo de arma de fogo e a morte do homem. 

Corregedoria apura ação de PMs após homem em surto avançar contra policiais com facão e morrer baleado no Piauí
Reprodução

A ex-companheira de Carlito, que presenciou a ocorrência, apresentou uma versão diferente sobre o desfecho da ação. Em relato, ela afirmou que pediu aos policiais para não atirarem e destacou que o homem fazia tratamento de saúde mental.

"Eu vi tudo. Ele barrou aqui na porta, eu falei pra ele que ele fazia uso de medicamento, e que ele tinha transtorno, delírio, e ele é esquizofrênico. O que eles fizeram? Foram na frente, ele veio lá da casa da mãe dele, quando ele chegou aqui, deram um choque nele, ele caiu, o policial caiu, e eu pedi pra ele ‘não faça isso’ e ele pegou e não fez. Eu disse pra ele que não era pra fazer aquilo, que, por favor, que não atirasse não", disse.

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Reprodução

Ela também relatou que o homem estaria em surto, após ingerir bebida alcoólica e ficar dias sem medicação. Segundo ela, a vítima tinha laudo de esquizofrenia e chegou a fazer tratamento, mas não estava tomando a medicação.

"Ele estava sem o remédio e tinha bebido. Quando a pessoa está assim, não pensa direito [...] Ele tem um laudo, ele fazia tratamento no CAPS. Ele estava sem a medicação porque ele não tomava, não queria. Ele tomou uma cachaça, aí ele teve o surto. Ele começava a ver as coisas, começava a falar, aquelas coisas todas, mas ele não era uma pessoa ruim", afirmou.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram que o homem continuou avançando em direção aos policiais mesmo após o uso de balas de borracha e do dispositivo de choque.



A Polícia Militar informou que a ação seguiu os protocolos do Uso Diferenciado da Força, priorizando a preservação da vida, e que o uso de força letal ocorreu apenas após o esgotamento das alternativas disponíveis diante do risco iminente.

A corporação lamentou o desfecho da ocorrência e reforçou que todas as circunstâncias serão apuradas de forma rigorosa. O caso também deve ser acompanhado por outros órgãos de controle.

Nota da Polícia Militar na íntegra

NOTA À IMPRENSA

A Polícia Militar do Piauí informa que, durante o atendimento de uma ocorrência registrada no município de Campo Maior, envolvendo um indivíduo portando arma branca e apresentando comportamento que representava ameaça concreta e iminente à integridade física de populares e dos policiais militares no local, foram adotados os protocolos operacionais previstos para gerenciamento da situação.

Conforme informações preliminares, a atuação policial ocorreu de forma progressiva, observando os princípios do Uso Diferenciado da Força e priorizando a preservação da vida. Inicialmente, foram realizadas verbalizações e tentativas de negociação com o objetivo de obter a rendição voluntária do indivíduo.

Diante da permanência da situação de risco, foram empregados instrumentos de menor potencial ofensivo, incluindo munição de elastômero e dispositivo eletrônico de incapacitação neuromuscular (TASER), em conformidade com os procedimentos técnicos aplicáveis.

Contudo, mesmo após o esgotamento das alternativas operacionais disponíveis, a ameaça permaneceu ativa e iminente, colocando em risco a integridade física dos policiais e das demais pessoas presentes. Nesse contexto, houve o emprego da força potencialmente letal como medida extrema para cessar a agressão e preservar vidas.

A Polícia Militar do Piauí lamenta o desfecho da ocorrência e reforça que toda perda de vida humana representa um resultado indesejado.

A Corporação reafirma que sua atuação é pautada pelos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, razoabilidade e responsabilidade, mantendo investimentos permanentes em capacitação profissional, treinamento continuado, gerenciamento de crises, técnicas de desescalonamento e emprego racional da força.

A PMPI informa ainda que serão adotados todos os procedimentos legais e administrativos cabíveis para apuração completa dos fatos, assegurando transparência, controle institucional e o devido esclarecimento das circunstâncias da ocorrência.

A Polícia Militar do Piauí permanece comprometida com a preservação da vida, a manutenção da ordem pública e o cumprimento de sua missão constitucional em defesa da sociedade piauiense.

Fonte: Portal A10+


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