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A Secretaria de Segurança Pública, por meio da Polícia Civil e Polícia Militar, deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a 4ª fase da Operação Laverna, em Parnaíba, litoral do Piauí.
Segundo as apurações, duas influenciadoras identificadas como Brunnah Carvalho e Day Carvalho utilizavam perfis, em redes sociais, para divulgar plataformas ilegais de apostas, rifas virtuais e jogos de azar, como o chamado “jogo do tigrinho”. A estratégia envolvia ostentação de bens, promessas de ganhos rápidos e publicação de resultados supostamente lucrativos para atrair seguidores e induzir consumidores ao erro.

Reprodução/Instagram
O delegado Matheus Zanatta explicou que elas são investigadas desde 2024, e poderão responder por crimes de divulgação de jogos de azar, lavagem de dinheiro e estelionato contra o consumidor. Conforme os levantamentos, as duas mantinham grupos de mensagens para captação direta de apostadores, compartilhamento de links e direcionamento para plataformas ilegais. Há indícios de manipulação de resultados e utilização de contas simuladas para dar aparência de veracidade aos ganhos divulgados.
A TV Antena 10 e o A10+ apuraram que Brunnah Carvalho, atualmente conta com um perfil com quase 4 mil seguidores, mas em sua bio consta que ela perdeu outra rede social que tinha mais de 50 mil pessoas. Ela se apresenta como mãe, esposa, empreendedora e influenciadora. Já Day Carvalho tem duas contas no Instagram que somam cerca de 25 mil pessoas. Ela afirma que atua com campanha de emissão de títulos de capitalização, indicando ainda uma entidade beneficiada. No perfil ela compartilha fotos com pessoas que supostamente teriam sido contempladas com valores.
As apurações também apontam para uma estrutura financeira considerada atípica. A investigada Brunnah Carvalho teria movimentado aproximadamente R$ 1.178.952,25, em 14 contas bancárias diferentes, enquanto Day Carvalho movimentou cerca de R$ 1.054.886,88 milhão em 9 contas, valores considerados incompatíveis com as atividades formais declaradas. Além disso, foram identificados indícios de ocultação patrimonial, com uso de bens registrados em nome de terceiros, empresas com baixa movimentação aparente e pulverização de recursos financeiros para dificultar o rastreamento.
"Cumprimos medidos cautelares contra as duas influenciadoras. Além da busca e apreensão, pedimos o bloqueio dos ativos financeiros. As duas, juntas, movimentaram mais R$ 2 milhões. Fizemos a apreensão dos celulares e o juiz determinou a exclusão de qualquer divulgação das redes sociais relacionados ao objeto de investigação", afirmou Zanatta à imprensa.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, mídias digitais, documentos, dinheiro em espécie e itens de alto valor, como joias e acessórios. Também houve determinação judicial para bloqueio de ativos financeiros das investigadas até o limite superior a R$ 2 milhões, bem como a quebra de sigilo de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos.
A decisão judicial ainda determinou a suspensão imediata da divulgação de jogos de azar e a remoção, no prazo de 24 horas, de todas as postagens relacionadas às práticas ilícitas nas redes sociais das investigadas, como forma de interromper a continuidade dos crimes e evitar novas vítimas.
Nas diligências na casa de Brunnah, as equipes encontraram uma rinha de galo, com cerca de 30 animais, o que também configura crime ambiental. "O marido dessa influenciadora foi autuado por crime de maus-tratos por meio de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO)", detalhou o delegado Ayslan Magalhães.
O nome da operação remete à deusa romana Laverna, símbolo de atos ocultos e práticas fraudulentas, representando o caráter dissimulado das atividades investigadas. “Essa operação demonstra a capacidade investigativa das nossas equipes no enfrentamento aos crimes digitais e financeiros. Estamos atuando com inteligência para desarticular organizações que se utilizam da internet para cometer fraudes e lavar dinheiro”, destacou o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta.
As investigações continuam com a análise do material apreendido e não está descartada a identificação de outros envolvidos no esquema criminoso.
Fonte: Portal A10+