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A disputa presidencial caminha para ter a economia como tema central. Levantamentos recentes indicam três fatores ligados à queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
O primeiro envolve aumento de notícias negativas relacionadas ao governo. Esse cenário elevou a corrupção ao segundo lugar entre as maiores preocupações nacionais, atrás da violência.

O segundo ponto envolve percepção econômica. Indicadores não mostram quadro tão crítico quanto o observado em março do ano passado, porém, a tendência registra piora desde dezembro de 2025.
O terceiro elemento envolve a nova tabela do Imposto de Renda. A expectativa de melhora na popularidade do governo não se confirmou. A parcela de brasileiros beneficiados passou de 30% para 31% no último mês, sem impacto relevante na avaliação negativa do governo.
Economia no centro da disputa
Para o analista do instituto Real Time Big Data, Bruno Soler, eleições presidenciais no Brasil costumam girar em torno da situação econômica.
“De fato, a economia é o ponto central para discutir eleição presidencial no país. É um ponto pacífico de todas as campanhas eleitorais que a gente passou. Os momentos de virada que a gente tem, historicamente, são em períodos em que a economia não vai bem”, aponta.
Soler cita a eleição de 2022 como exemplo. Segundo ele, as pessoas votaram no Lula com a expectativa de que a vida pudesse voltar a patamares do início do século, quando ele havia sido presidente.
O analista ressalta, contudo, que o debate não envolve apenas indicadores macroeconômicos. “A questão não é tanto nos números econômicos, até porque o governo tenta apresentar cenários de crescimento, tenta mostrar pleno emprego. Se a gente for analisar do espectro da macroeconomia, talvez o governo até tivesse bons índices para apresentar nesse momento que o país vive”, arrisca.
Para o analista, a percepção da população segue diferente. “O fato é que falta dinheiro no bolso das pessoas. As pessoas estão com poder de compra diminuído e extremamente endividadas”, enfatiza.
Dados recentes do Serasa apontam cerca de 80 milhões de brasileiros com dívidas, metade da população adulta.
Percepção pesa no voto
O cientista político Magno Karl, diretor executivo da organização Livres, afirma haver diferença entre indicadores econômicos e percepção da população.
“O aspecto econômico tem um papel de bastante relevância. Pode não ser o único fator que o eleitor leva em consideração — para alguns eleitores não é nem o fator principal —, mas é inegável que o aspecto econômico tem um papel significativo nessa decisão.”
Segundo Karl, números positivos nem sempre se traduzem em sensação de melhora. E se a população não sente um bem-estar no nível econômico, isso pode se voltar contra o governo.
O especialista também cita inflação de alimentos e renda insuficiente como fatores de insatisfação.
“Se você acha que seu emprego não te paga o bastante e que os preços no supermercado — que, junto com combustível, afetam muito diretamente o sentimento das pessoas — fazem com que o cenário de números bons não acabe sendo traduzido em um cenário politicamente bom para o governo.”
Debate deve dominar campanha
Para Karl, a eleição deve repetir a dinâmica observada em disputas anteriores, com governo e oposição apresentando narrativas distintas sobre economia.
“Nesse sentido, a economia vai ter um papel importante na eleição. A gente deve ver o governo martelando os números da economia, tentando lembrar à população que os números estão bons e que as coisas não estão tão ruins assim”, aposta.
Ao mesmo tempo, a oposição deve explorar a percepção da população sobre o custo de vida. “E uma oposição falando do sentimento da população, de que tudo está caro e que o dinheiro não chega no fim do mês”, argumenta.
A lógica segue a máxima criada pelo estrategista político James Carville durante a campanha presidencial de Bill Clinton em 1992: “É a economia”. O slogan defendia a ideia de que a situação financeira das famílias costuma definir o resultado das eleições.
Fonte: R7