Investigação aponta que Bolsonaro alterou minuta de golpe antes de apresentá-la às forças militares - Política
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Investigação aponta que Bolsonaro alterou minuta de golpe antes de apresentá-la às forças militares

Além do ministro Alexandre de Moraes, versão inicial determinava prisão de Gilmar Mendes e Rodrigo Pacheco


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(Atualizada às 13h15)

O ex-presidente da República Jair Bolsonaro solicitou alterações à minuta de golpe de Estado antes de apresentá-la a comandantes das forças militares, aponta a Polícia Federal. Na segunda versão, as ordens de prisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), teriam sido retiradas a pedido de Bolsonaro. Apenas o ministro Alexandre de Moraes continuou na mira. O documento teria sido apresentado aos comandantes do Exército e da Marinha e ao então Ministro da Defesa em 7 de dezembro de 2022.

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) entregou o passaporte do ex-presidente no fim da manhã, em Brasília. 

Segundo as investigações, a primeira versão da minuta foi apresentada pelos assessores Felipe Martins e Amauri Feres Saad "para executar um golpe de Estado, detalhando supostas interferências do Poder Judiciário no Poder Executivo e ao final decretava a prisão de diversas autoridades, entre as quais os ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do Presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Por fim, determinava a realização de novas eleições".

  

Jair Bolsonaro
Alan Santos

   

"Posteriormente foram realizadas alterações a pedido do então presidente, permanecendo a determinação de prisão do ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições", detalha a decisão que autorizou a operação da PF desta quinta-feira (8), para apurar a participação de pessoas na tentativa de golpe e abolição do Estado democrático de Direito.

As mudanças teriam sido solicitadas a Filipe Martins, "tendo o mesmo retornado alguns dias depois ao Palácio do Alvorada e alterado o documento conforme solicitado". "Após a apresentação da nova minuta modificada, Bolsonaro teria concordado com os termos ajustados e convocado uma reunião com os comandantes das forças militares para apresentar a minuta e pressioná-los a aderirem ao golpe de Estado", diz a decisão. 

As investigações da Polícia Federal apontam que Moraes foi monitorado por assessores. O "núcleo de inteligência paralela" formado com esse objetivo seria composto por Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Marcelo Costa Camara e Mauro Cesar Barbosa Cid. A forma de atuação seria por coleta de dados e informações que pudessem auxiliar a tomada de decisões do então presidente na consumação do golpe. O monitoramento incluía itinerário, deslocamento e localização de Moraes, entre 14 e 31 de dezembro de 2022, inclusive na véspera do Natal de 2022.

A Polícia Federal apurou que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid e o assessor especial da Presidência da República Marcelo Câmara se referiram ao ministro Moraes com o codinome "professora".

Em uma troca de mensagens encontrada no telefone de Cid, Câmara repassa informações do itinerário de uma pessoa, que as investigações acreditam ser Moraes. " Viajou para São Paulo hoje (15/12), retorna na manhã de segunda-feira e viaja novamente para SP no mesmo dia. Por enquanto só retorna a Brasília para posse do ladrão. Qualquer mudança que saiba, lhe informo", disse. As mensagens teriam sido enviadas entre os dias 14 e 24 de dezembro de 2022.

Operação

O ex-presidente Jair Bolsonaro é um dos alvos da operação que a PF deflagrou nesta quinta-feira (8) em dez estados para apurar a participação de pessoas na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do ex-chefe do Executivo no poder.

O R7 apurou que a PF foi à casa do ex-presidente em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde apreendeu o celular de Tércio Arnaud, um dos ex-assessores dele. Os agentes também aplicaram outras medidas restritivas a Bolsonaro.

Além disso, foi determinada a apreensão do passaporte do ex-presidente, mas, como o documento não estava na residência, os policiais deram 24 horas para que Bolsonaro o entregue.

Fonte: R7


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