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Um adolescente de 17 anos, de Simões, interior do Piauí, morreu vítima de complicações da "Doença do Tatu", provocada por um fungo encontrado no solo identificado como Paracoccidioidomicose (PCM). No estado, esse fungo é encontrado nas tocas dos tatus. Um amigo da vítima está internado em estado grave no Hospital Regional de Picos.
É a segunda morte registrada pela doença em Simões. A Doença do Tatu ocorre quando a pessoa entra em contato com os esporos do fungo ao mexer no solo e inala a substância.

Reprodução
Um irmão e um amigo que estava com a vítima, também foram atingidos pelo fungo. Ao A10+, a secretária de saúde do município, Isamaria Dantas, relatou que há cerca de um mês os três jovens saíram para caçar tatu e ao retornarem começaram a sentir os sintomas da doença.
"O município já registrou uma morte pela doença há quatro anos. Quando os jovens procuraram o hospital foram informando que estavam caçando tatu, ou seja, logo associaram o caso. O jovem de 17 anos estava com sintomas graves, diante disso ele foi encaminhado para o Hospital Regional de Picos, mas não resistiu”, contou.
Ao caçar ilegalmente o tatu, o homem entra em contato com o solo contaminado pelo fungo, que pode causar lesões na pele, tosse, febre, falta de ar, comprometimento pulmonar, além de linfonodomegalia (ínguas ou landras, inchaço dos gânglios linfáticos) e emagrecimento.

O A10+ elenca agora o que é essa 'Doença do tatu', quais são os sintomas e recomendações das autoridades sanitárias. De acordo com o Ministério da Saúde, a paracoccidioidomicose (PCM) é a principal micose sistêmica no Brasil. Segundo a pasta, essa doença representa uma das dez principais causas de morte por doenças infecciosas e parasitárias, crônicas e recorrentes, no Brasil.
O que causa a Paracoccidioidomicose?
A paracoccidioidomicose é causada por um fungo termodimórfico, do gênero Paracoccidioides spp., com destaque para duas espécies patogênicas: Paracoccidioides brasiliensis (P. brasiliensis) e Paracoccidioides lutzii (P. lutzii). Esses fungos estão dispersos no meio ambiente.
Como ocorre a transmissão da Paracoccidioidomicose?
A exposição ao fungo está relacionada com o manejo do solo contaminado, como em atividades agrícolas, terraplenagem, preparo de solo, práticas de jardinagem, transporte de produtos vegetais, entre outras. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos indivíduos que adoeceram com a PCM apresenta história de atividade agrícola exercida nas duas primeiras décadas de vida.
"Hábitos como tabagismo e etilismo também são considerados fatores de risco frequentemente associados à micose, e ao agravamento do seu quadro clínico", destacou a pasta.
Não existe transmissão inter-humana do fungo Paracoccidioides spp., nem de animais ao homem. No entanto, os indivíduos estão expostos ao risco por inalação de propágulos infectantes, dispersos no solo.
A principal porta de entrada do fungo no organismo é por via inalatória. Os órgãos comumente afetados são os pulmões (50%-100%), seguidos da pele, mucosas, linfonodos, adrenais, sistema nervoso central, fígado e ossos.
Quais os sintomas da Paracoccidioidomicose?
As principais formas clínicas da doença são:
- Forma aguda ou subaguda (tipo juvenil): a progressão das lesões primárias evolui rapidamente, de semanas a meses. Essa forma clínica é considerada grave, devido a elevadas taxas de letalidade em crianças e adolescentes. Os sinais podem se manifestar como hipertrofia do sistema retículo endotelial e acometimento generalizado de linfonodos, que geralmente fistulizam (se rompem). O fungo pode se disseminar para outros órgãos ou sistemas como pele, ossos e sistema gastrintestinal, além do fígado, baço e medula óssea.
- Forma crônica (tipo do adulto): responsável pela maioria dos casos de PCM, com prevalência de 74% a 96%. Os indivíduos entre 30 e 60 anos de idade e do sexo masculino são os mais acometidos por essa doença. Essa forma clínica manifesta-se de forma mais lenta, com duração da sintomatologia entre quatro a seis meses, inclusive acima de um ano. O comprometimento pulmonar está presente em 90% dos indivíduos. Os pulmões, a mucosa das vias aerodigestivas superiores e a pele são os locais mais acometidos pela PCM.
- Forma residual: também chamada “sequelas”, manifesta-se clinicamente com alterações anatômicas e funcionais causadas pelas cicatrizes que se seguem ao tratamento da PCM. As sequelas podem ser observadas em vários órgãos, com maior frequência nos pulmões, pele, laringe, traqueia, glândulas adrenais, mucosa das vias aerodigestivas superiores, sistema nervoso central e sistema linfático.
*Com informações do Ministério da Saúde
Fonte: Portal A10+