Criação de galinhas Canela Preta ajuda economicamente famílias e vira sinônimo de orgulho para comunidade no Piauí

Agricultores explicam técnicas de cuidado com a ave típica piauiense e destacam sua importância para a culinária regional

*Por Ana Júlia, sob supervisão de Marcelo Gomes

Moradores do Assentamento Bom Sossego, localizado na zona rural Leste de Teresina, adotam a criação da galinha Canela Preta, uma ave caipira nativa do Piauí. Reconhecida pela capacidade de adaptação, a espécie se mantém em regiões de clima semiárido, normalmente afetadas por fortes ondas de calor e pela escassez de chuvas.


O agricultor Francisco das Chagas afirmou ao Antena Rural que a ave apresenta características mais rústicas, com maior resistência a doenças e menor necessidade de ração industrial. Ele aponta que, em comparação com outras espécies de galinha, a Canela Preta demonstra habilidades diferenciadas em alguns aspectos, como na hora de correr.

“Me parece bem mais resistente. Você olha para ela e percebe que ela é mais durinha, apesar de ser um animal pequeno, diferente da galinha ‘amarela’. Ela é bem mais dura, bem mais resistente. A gente percebe até na hora de subir no poleiro, a gente percebe ela bem mais ágil para correr. Ela é bem diferente”, explica Francisco.

Para a criação da espécie, os moradores que trabalham com a produção da galinha Canela Preta passaram por um curso intensivo de capacitação técnica com duração de dez meses, ofertado pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI). O projeto faz parte de uma parceria com o Banco do Nordeste, que garante linhas de financiamento de R$ 35 mil para cada produtor.

Além disso, a iniciativa conta com a colaboração do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que beneficia mais de 1.500 agricultores cadastrados no Cadastro Único (CadÚnico). O programa alcança diversos municípios piauienses, entre eles Teresina, Angical, Regeneração, São Pedro, Altos, Boa Hora, Lagoa Alegre, José de Freitas, Cabeceiras, União, Miguel Alves e Paes Landim.

Galinha Canela Preta como símbolo da culinária piauiense

O projeto tem como objetivo consolidar a raça como fonte de renda para as famílias e tornar a ave um símbolo tradicional da culinária do Piauí. A coordenadora da iniciativa, Dayseanny de Oliveira, explica por que a espécie foi escolhida para o projeto.

  

Criação de galinhas Canela Preta ajuda economicamente famílias e vira sinônimo de orgulho para comunidade no Piauí TV Antena 10

   

“Ela é uma das aves trabalhadas dentro do nosso projeto. É uma raça nativa do Piauí, que tem uma adaptação maior ao nosso clima e também ao manejo agroecológico, em que elas são criadas de maneira semi-intensiva. A partir da capacitação que os produtores receberam, eles podem produzir de uma maneira mais eficiente. Então, essa raça pode ser trabalhada justamente pelas características típicas da raça, que vão desde a produção, essa resistência, essa rusticidade, até o prato, porque ela tem a característica do sabor da galinha caipira”, afirma a especialista.

A preservação da galinha Canela Preta é respaldada principalmente pela Lei Estadual nº 7.615, promulgada em outubro de 2021, que reconhece a ave como patrimônio histórico, cultural e genético do estado do Piauí. Esse reconhecimento contribui para a preservação da raça e para o aumento da produção.

Técnicas de manejo para a criação e o bem-estar das aves

Com o objetivo de ampliar a comercialização da raça, o projeto promovido pelo IFPI disponibilizou, além do curso intensivo, técnicos especializados na criação de galinhas caipiras para acompanhar os produtores até dezembro do próximo ano.

  

Reconhecida pela capacidade de adaptação, a espécie se mantém em regiões de clima semiárido TV Antena 10

   

As técnicas adequadas de criação incluem espaços divididos em compartimentos e equipamentos apropriados para garantir a alimentação e a hidratação das aves, cuidados fundamentais para as galinhas devido ao clima seco da região.

“Aqui está tudo cercado de laje, tanto um lado como o outro. As paredes que eram para ser de alvenaria, eu fiz de laje, e o piso é laje também. Tudo bem organizadinho para não fazer feio. A gente espera, tanto eu quanto os outros, que as coisas possam melhorar, o estilo de vida”, conta o agricultor Antônio.