*Por Marco Sena, estagiário sob supervisão de Marcelo Gomes
Pesquisas com plantas frutíferas desenvolvidas no campus do Instituto Federal do Piauí (IFPI), em José de Freitas, têm impulsionado estudos avançados na área da agronomia e fortalecido iniciativas voltadas à agricultura sustentável. A unidade funciona como um laboratório prático para estudantes e pesquisadores das ciências agrárias, reunindo espécies adaptadas ao clima da região e promovendo ações de ensino, pesquisa e extensão rural. A proposta é aproximar tecnologia, conhecimento científico e agricultura familiar.
Entre os projetos desenvolvidos está uma pesquisa voltada ao cultivo do tomate-cereja, criada a partir da necessidade de fortalecer a agricultura agroecológica. O estudo utiliza sementes crioulas resistentes, desenvolvidas com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante o experimento, são avaliados fatores como incidência de pragas, doenças e qualidade dos frutos, contribuindo para o fortalecimento da produção agrícola regional.
Segundo o professor e agrônomo Luiz Carlos, as sementes comerciais não apresentam boa adaptação a esse modelo de cultivo, já que foram geneticamente modificadas para alta produtividade e acabam perdendo resistência natural. Ele explica que o tomate está entre as hortaliças mais difíceis de cultivar devido às variações climáticas, principalmente pelo excesso de água no inverno e pelas altas temperaturas no verão.
“As variedades comerciais são trabalhadas para altas produtividades e, nesse processo genético, acabam perdendo resistência a doenças e pragas. Já as variedades crioulas apresentam maior resistência”, destacou o professor à TV Antena 10.
Atualmente, o experimento conta com dezenas de vasos cultivados dentro da área do IFPI. No local, foram plantadas variedades experimentais e comerciais, utilizadas como referência. O objetivo é identificar uma opção que reúna resistência, produtividade e viabilidade econômica.
A rotina diária de alunos e professores envolve irrigação, coleta de dados e pesagem dos frutos colhidos. O monitoramento permite identificar quais variedades apresentam melhor desempenho em condições de calor intenso.
Além de fortalecer o aprendizado nas ciências agrárias, o trabalho prático amplia a experiência dos estudantes no ambiente rural e aproxima os alunos da realidade vivida pelos produtores.
O estudante João Paulo afirma que a participação no projeto aumentou ainda mais seu interesse pela área. “Eu já gostava da Agronomia, mas depois que tive a oportunidade de receber a bolsa de monitoria, passei a gostar ainda mais da área agrícola. O conhecimento que estou adquirindo aqui vou levar para a vida e isso desperta voos maiores para o futuro”, afirmou.
Além do tomate cereja, a unidade demonstrativa reúne diversos cultivos frutíferos, com plantações de banana, acerola, cajá, bacuri, entre outras espécies adaptadas às condições climáticas da região.