Criada originalmente na África do Sul para produção de carne, a raça ovina Dorper se destaca pela rusticidade, rápido ganho de peso e adaptação a regiões de clima seco. O animal surgiu do cruzamento entre as raças Dorset Horn e Persa de Cabeça Negra, com o objetivo de formar um ovino resistente e produtivo características que hoje favorecem sua expansão em diversas regiões do Brasil.
Na zona rural de José de Freitas, no interior do Piauí, o produtor Aerton Gindri identificou na raça uma oportunidade de investimento e crescimento na ovinocultura. Apostando em planejamento, tecnologia e melhoramento genético, ele vem transformando a criação em um sistema voltado à produtividade e qualidade da carne.
A Fazenda Gindri possui cerca de 30 hectares, dos quais 12 são destinados exclusivamente à criação de ovinos Dorper puro de origem. Segundo o produtor, a escolha pela raça ocorreu após experiências anteriores positivas e a aquisição de reprodutores voltados à produção de carne. Entre as características que mais chamaram atenção estão a precocidade dos animais e o elevado rendimento de carcaça.
O controle genético começa ainda na fase de reprodução. A fecundação e o registro dos animais são acompanhados por associações de criadores, que mantêm bancos de dados nacionais. Técnicos monitoram o nascimento, realizam a identificação dos cordeiros e avaliam o padrão racial. Por volta dos oito meses de idade, ocorre a confirmação oficial do pertencimento à raça. Entre as estratégias utilizadas para acelerar o melhoramento do rebanho está a transferência de embriões, técnica que permite multiplicar rapidamente a genética de matrizes superiores. A reprodução pode ocorrer por três métodos: monta natural, inseminação artificial e transferência embrionária.
Na monta natural, reprodutores do plantel são utilizados diretamente nas matrizes. Já na inseminação artificial, é possível adquirir material genético de animais com alto valor e utilizá-lo em larga escala. A terceira alternativa é a transferência de embriões, quando uma matriz de alto desempenho é fecundada e os embriões são coletados e implantados em fêmeas receptoras, conhecidas como “barriga de aluguel”.
Outro fator determinante para o desempenho produtivo é a alimentação. Apesar de ser uma raça rústica e adaptada a diferentes condições climáticas, a Dorper apresenta melhores resultados quando recebe manejo nutricional adequado. Em sistemas extensivos, os animais se alimentam principalmente de pastagens, como capins buffel, mombaça, massai e andropogon, além de vegetação nativa do semiárido.
Na Fazenda Gindri, os animais apresentam alto desempenho e já acumulam premiações em exposições agropecuárias, o que valoriza o plantel no mercado genético. Entre os destaques está o reprodutor Pau Garobas Beatube, reconhecido como um dos principais animais do Nordeste em 2024. Atualmente, ele é utilizado na reprodução de novos exemplares de alto padrão. Parte significativa da nova geração descende desse reprodutor, acumulando títulos em competições e ampliando o reconhecimento nacional do criatório.