Corpo de pedreiro morto em abordagem da PRF é exumado quase seis anos após o caso no Piauí

Procedimento foi determinado pela Justiça para esclarecer pontos controversos; União já foi condenada a indenizar a família

O corpo do pedreiro Joilson Pereira foi exumado no município de Picos, no Piauí, quase seis anos após sua morte durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF); na época ele tinha 39 anos. A medida foi autorizada pela Justiça e integra uma nova etapa das investigações sobre o caso, que ainda apresenta pontos considerados controversos pelas autoridades.

A exumação ocorreu em um cemitério da cidade e foi acompanhada por equipes da Polícia Federal, da Polícia Científica e pela viúva da vítima, Maria Raimunda Lima. De acordo com a Polícia Federal, o objetivo é obter novos elementos periciais que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte.

  

Corpo de pedreiro morto em abordagem da PRF é exumado quase seis anos após o caso no Piauí
Reprodução

   

O procedimento havia sido solicitado inicialmente pela defesa, que posteriormente desistiu do pedido. Apesar disso, o Ministério Público Federal (MPF) avaliou que a diligência era essencial para o avanço das investigações e insistiu na realização da exumação. O pedido foi então acolhido pelo Poder Judiciário.

Joilson Pereira morreu em junho de 2020, durante uma abordagem da PRF no bairro Bomba, em Picos. Segundo a família, ele conduzia uma motocicleta, estava embriagado e sem capacete no momento da ocorrência, mas o veículo era de sua propriedade e estava devidamente regularizado.

Familiares afirmam que o pedreiro foi atingido por um disparo de arma de fogo efetuado por um policial rodoviário federal durante a abordagem. Na época, a PRF informou que abriria procedimento para apurar o caso.

Além da investigação interna da PRF, que tramitou sob sigilo, a Polícia Civil do Piauí também instaurou inquérito para apurar a ocorrência. O procedimento foi concluído e encaminhado à Justiça.

De acordo com o advogado da família, a União já foi condenada em primeira instância ao pagamento de indenização por danos morais e materiais aos familiares de Joilson. Ainda cabe recurso da decisão.

Com a exumação, a Polícia Federal deve dar continuidade às investigações, com a expectativa de esclarecer as circunstâncias da morte do pedreiro e eventuais responsabilidades no caso.