Mesmo condenada e com perda de mandato, Tatiana Medeiros seguirá recebendo salário de R$ 25 mil da Câmara Municipal de Teresina

Legislativo Municipal não foi oficialmente notificado pelo TRE-PI e, por isso, não pode executar a determinação de perda de cargo neste momento

Após condenação da vereadora Tatiana Medeiros pela Justiça Eleitoral, a Câmara Municipal de Teresina informou que ainda aguarda a comunicação oficial da decisão para adotar qualquer medida administrativa. A parlamentar foi condenada a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa, pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Mesmo com a condenação e perda de mandato, Tatiana ainda seguirá recebendo salário de aproximadamente R$ 25 mil. 

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (27) após cinco meses de julgamento. Além dela e do namorado faccionado, Alandilson Passos, outras seis pessoas também foram condenadas por envolvimento em crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. 


À TV Antena 10, a Câmara Municipal se pronunciou e esclareceu que, mesmo com a decisão, juridicamente, Tatiana Medeiros ainda mantém o mandato. Segundo o procurador da Casa, Pedro Rycardo Couto, o Legislativo Municipal não foi oficialmente notificado pelo TRE-PI e, por isso, não pode executar a determinação de perda de cargo neste momento.

 

Vereadora Tatiana Medeiros foi presa pela PF
TV Antena 10

 

“Ela ainda não deixou de ser vereadora. Nós fizemos uma consulta ao Tribunal de Contas e tomamos esse entendimento para a Casa que ela permanece, sim, recebendo o salário até a decisão final de perda de mandato […] A partir do momento em que o TRE julgar e mandar essa decisão, esse veredito final, é que nós vamos saber se vai cumprir ali imediatamente a decisão do TRE, de acordo com o que eles determinarem, ou se de fato essa questão vai se vislumbrar até Brasília, no TSE, para se esperar o trânsito em julgado. O que de fato hoje acontece é que nós temos uma situação automática recursal que suspende os efeitos da decisão. Então hoje nós vamos aguardar, de fato, nós não temos nada a fazer, eu de fato nem recebi a decisão judicial, mas o que nós temos é aguardar a decisão do colegiado do Tribunal Regional Eleitoral”, afirmou.

 

Câmara de Teresina aguarda decisão oficial da Justiça e mantém mandato de Tatiana Medeiros após condenação
TV Antena 10

 

O presidente da Câmara, vereador Enzo Samuel, disse que o Legislativo seguirá o que determina a Justiça. Ele destacou que, enquanto não houver o trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos, a vereadora permanece com seus direitos políticos preservados.

“Ela está afastada, mas continua sendo vereadora, eleita pelo povo. Até a decisão final, existe o direito à ampla defesa. A Câmara já realizou consultas a órgãos como Tribunal de Contas, Ministério Público e à própria Justiça para garantir que todas as decisões sejam tomadas com segurança jurídica”, declarou.


Ele afirmou ainda que só irá deliberar sobre a perda definitiva do mandato após receber a decisão oficial da Justiça Eleitoral e conforme os desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caso haja recurso.

O primeiro suplente do PSB, Leondidas Júnior, continua exercendo a função na Casa, onde já atua desde junho de 2025, quando assumiu interinamente após o afastamento de Tatiana Medeiros, em abril de 2025. Enquanto isso, mesmo afastada das funções, a parlamentar segue recebendo remuneração, conforme entendimento legal vigente.

Entenda o caso 

A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa no dia 03 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. O A10+ apurou que a prisão envolve compra de votos nas eleições de 2024. A parlamentar estava no centro de uma polêmica após a prisão do então namorado membro de uma facção criminosa.  

 

Tatiana Medeiros
Reprodução

   

Dois meses após ser presa, teve prisão domiciliar concedida pela Justiça, após uma série de problemas de saúde. Com isso, ela deixou a cela em que estava no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em Teresina. 

A parlamentar, envolvida com facção criminosa, enfrentou uma série de problemas de saúde, chegou a ser internada em hospital, alegou ansiedade e foi encontrada até com tablet e celular dentro da cela.

De fundadora de ONG à prisão pela PF: saiba quem é Tatiana Medeiros, vereadora envolvida com facção criminosa em Teresina

A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em 3 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. Ela é advogada e levantou, durante sua campanha, a importância da Educação, Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades. Candidata pelo PSB, ela obteve 2.925 votos na capital piauiense. 

  

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Investigada pela Polícia Federal por vínculo com facção criminosa violenta com grande atuação no estado, há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos da instituição não governamental. 

Segundo o procurador da Câmara, Pedro Ricardo Couto, uma servidora do gabinete da vereadora Tatiana Medeiros também está sendo investigada. Trata-se de Emanuele de Melo, que, no entanto, já estava afastada da Câmara desde janeiro.

Ao comentar a possibilidade de cassação do mandato da vereadora, o procurador adotou uma postura cautelosa, ressaltando que é necessário aguardar uma decisão transitada em julgado. “É preciso seguir o devido processo legal, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Não podemos falar sobre cassação neste momento”, afirmou Couto.