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Atualizada às 18h43
A Justiça Eleitoral condenou Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. A decisão, obtida pelo A10+, foi proferida nesta segunda-feira (27). Medeiros também perdeu o mandato como vereadora.
A sentença também determina a perda do cargo, a inelegibilidade para funções públicas e o pagamento solidário de R$ 1 milhão como reparação pelos prejuízos causados à sociedade. A defesa de Medeiros afirmou que a sentença é "absolutamente injusta" e que vai recorrer.

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No caso, foram reunidas provas consistentes que evidenciam a existência de uma estrutura organizada, com divisão clara e funcional de tarefas. Não restam dúvidas de que a formação da ORCRIM foi previamente planejada, contando com um núcleo central de comando e organização. Também foi possível identificar a segmentação das atividades em três frentes: núcleo de comando, núcleo financeiro e núcleo vinculado ao Instituto Vamos Juntos, dos quais participam Tatiana, Alandilson, Stênio, Maria Odélia, Emanuelly, Bianca, Bruna e Sávio.
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Ainda segundo decisão, a liderança política e organizacional central estava sob responsabilidade de Tatiana Medeiros. Parte das evidências que demonstram essa centralização foi obtida a partir do próprio celular de da vereadora, especialmente por meio de mensagens e arquivos compartilhados no grupo de WhatsApp “Assuntos Jurídicos”. Esse grupo, segundo as investigações, era utilizado por ela como um repositório de documentos e informações, sendo composto exclusivamente por sua própria participação.
Além do mais, Tatiana Medeiros, conforme as provas bancárias e telemáticas, viabilizava os pagamentos ao disponibilizar os recursos financeiros necessários aos repasses para os eleitores, não havendo dúvidas que coordenava e tinha conhecimento de todo o processo, diante dos diálogos com Emanuelly, Bruna e Sávio." No mais, notoriamente ela era a maior beneficiária diretado esquema criminoso e realizava atos de comando estabelecendo parâmetros de atuação, definindo critérios e autorizando pagamentos", diz trecho da decisão.
Abaixo, confira como foi distribuída a sentença dos crimes cometidos por Tatiana Medeiros:
- Organização criminosa: 07 (sete) anos e 06 (seis)meses e 21 (vinte e um) dias de reclusão e 25 (vinte e cinco) dias-multa;
- Corrupção eleitoral: 2 (dois) anos e 07(sete) meses e21 (vinte e um) dias de reclusão e 300 (trezentos) dias-multa;
- Peculato-desvio: 03 (três) anos e 10(dez) meses e 20 (vinte)dias de reclusão e 144 (vinte) dias-multa;
- Falsidade ideológica: 01 (um) ano de reclusão e 05(cinco) dias-multa;
- Lavagem de dinheiro: 04 (quatro) anos e 09 (nove)meses e 05 (cinco) dias de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Medeiros vai cumprir a pena em regime fechado na Penitenciária Feminina Gardênia Gomes Lima Amorim, em Teresina.
Entenda o caso
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa no dia 03 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. O A10+ apurou que a prisão envolve compra de votos nas eleições de 2024. A parlamentar estava no centro de uma polêmica após a prisão do então namorado membro de uma facção criminosa.

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Dois meses após ser presa, teve prisão domiciliar concedida pela Justiça, após uma série de problemas de saúde. Com isso, ela deixou a cela em que estava no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em Teresina.
A parlamentar, envolvida com facção criminosa, enfrentou uma série de problemas de saúde, chegou a ser internada em hospital, alegou ansiedade e foi encontrada até com tablet e celular dentro da cela.
De fundadora de ONG à prisão pela PF: saiba quem é Tatiana Medeiros, vereadora envolvida com facção criminosa em Teresina
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em 3 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. Ela é advogada e levantou, durante sua campanha, a importância da Educação, Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades. Candidata pelo PSB, ela obteve 2.925 votos na capital piauiense.
Investigada pela Polícia Federal por vínculo com facção criminosa violenta com grande atuação no estado, há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos da instituição não governamental.

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Segundo o procurador da Câmara, Pedro Ricardo Couto, uma servidora do gabinete da vereadora Tatiana Medeiros também está sendo investigada. Trata-se de Emanuele de Melo, que, no entanto, já estava afastada da Câmara desde janeiro.
Ao comentar a possibilidade de cassação do mandato da vereadora, o procurador adotou uma postura cautelosa, ressaltando que é necessário aguardar uma decisão transitada em julgado. “É preciso seguir o devido processo legal, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Não podemos falar sobre cassação neste momento”, afirmou Couto.
Tatiana falou sobre ONG em entrevista à TV Antena 10
Em entrevista ao extinto programa Bom Demais, da TV Antena 10, em 10 de outubro de 2024, ela afirmou que cresceu em periferia e detalhou como foi criado o projeto. "Através da Educação, minha vida foi transformada. Hoje eu sou advogada e realizei meu sonho de criança, mas acima disso eu tinha vontade de voltar a comunidade para levar oportunidades para as crianças. Começamos o projeto com 30 crianças, debaixo de uma árvore e foi crescendo, ganhamos o terreno da comunidade, e conseguimos construir uma sede no valor de R$ 1 milhão, mesmo sem mandato, com recurso próprio e com a comunidade nós conseguimos erguer aquele projeto", disse.
Tatiana era secretária geral da comissão executiva do PSB, mas foi afastada quando já estava sendo citada na investigação que apura o envolvimento de facções criminosas nas eleições municipais de Teresina. A vereadora chegou a afirmar que estava sofrendo perseguição política. E que, apesar da decisão do presidente municipal do partido, Washington Bonfim, ela não pretende desistir e que só ‘falta mandarem matá-la’.
“Perseguição política e ninguém vai me parar. A única coisa que vai me parar é se mandar me matarem, que é o que está faltando. Não está faltando nada. Ele falou vamos esperar as investigações e todo o devido processo e nem sequer um processo abriram contra mim. O partido simplesmente jogou na minha mesa unilateral, me desrespeitando em não só a mim, mas a mais de 3 mil vozes que foram para as urnas democraticamente. Esse mandado foi democrático”, disparou.

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A organização não governamental, criada por ela, foi alvo da Operação Escudo Eleitoral da Polícia Federal, em 17 de dezembro do ano passado, com o objetivo de investigar a atuação de facções criminosas no processo eleitoral das Eleições municipais de 2024 em Teresina. Outros três endereços também receberam agentes da PF para buscas durante a ação. Cerca de R$ 100 mil foram apreendidos nos endereços.
Fonte: Portal A10+